Eleições 2026
Documento de desagravo denuncia a invisibilização de propostas na mídia tradicional, enquanto ofensivas jurídicas e articulações políticas expõem a disputa pela liderança dos candidatos pouco representados na eleição presidencial de 2026.
Em um movimento para contestar a concentração da cobertura eleitoral nos grandes veículos de comunicação, postulantes à Presidência da República articulam frentes de reação contra o afunilamento do debate público. A mobilização ganha força nos bastidores do debate promovido pelos podcasts 3 Irmãos e Kritikê, com transmissão Rádio MyNews VIP FM na frequência 90,9, iniciativa voltada a garantir visibilidade às candidaturas que não tiveram espaço nas emissoras tradicionais. A denúncia ganhou peso político com a adesão de candidatas como Clariana Barão, Rui Costa e Hertz que confirmou a assinatura do manifesto.
Durante a apresentação da “Nota de Desagravo Pela Falta de Isonomia Eleitoral”, o candidato Veterinário Wilson Grassi, articulador do documento, ressaltou à reportagem do MyNews que o processo democrático é comprometido quando o eleitor é privado de conhecer a totalidade das opções. Segundo Grassi, enquanto a mídia hegemônica concentrou a exposição pública em poucas campanhas, em sabatinas como a do Jornal Nacional e em debates da TV Globo e da Bandeirantes, os demais postulantes foram sistematicamente excluídos. “A democracia não é verdadeira se você não tiver uma igualdade de condições, de no mínimo as propostas”, afirmou o candidato, alertando que a população corre o risco de votar sem saber da existência das 12 candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral.
O manifesto subscrito pelo candidato aponta um ciclo de retroalimentação em que poder financeiro, estrutura partidária e pesquisas de intenção de voto passam a ditar a presença na imprensa, fazendo com que “o de cima sobe e o de baixo desce”.
Para ilustrar o prejuízo causado ao cidadão, o texto recorre a uma metáfora: “Se uma doença possui 12 possibilidades de tratamento, limitar o paciente a conhecer apenas 5 significa abrir mão de soluções que sequer chegaram a ser avaliadas”. Além disso, o documento faz um duro repúdio ao recorte de gênero, denunciando que a disputa de 2026 marca a primeira eleição presidencial deste século no Brasil em que as candidatas mulheres foram totalmente “alijadas”, ou seja, excluídas dos debates e sabatinas de maior audiência da grande imprensa. O texto ressalta que as mulheres constituem a maioria absoluta da população e do eleitorado, e que a aplicação cega de critérios puramente aritméticos não pode anular a voz da maioria do país.
Em outra frente, a candidata Samara Martins da UP adotou uma estratégia de combate institucional e contestação jurídica direta contra os veículos de comunicação. Por meio do Ofício nº 10/2026, encaminhado à direção da Rádio e Televisão Bandeirantes pelo presidente nacional do partido, Leonardo Péricles, e por Samara Martins, a legenda exigiu sua inclusão formal no debate promovido pela emissora no dia 23 de agosto. A representação ampara-se no artigo 46 da Lei nº 9.504/1997 e na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que, ao exercer a faculdade de convidar partidos sem representação parlamentar obrigatória, a emissora deve adotar critérios objetivos e isonômicos.
A UP questionou por que o candidato Renan Santos, também sem bancada no Congresso, foi convidado, enquanto Samara Martins foi excluída. O documento cobrou esclarecimentos formais sobre os parâmetros adotados e indagou expressamente se fatores como gênero, raça ou representatividade social influenciaram na escolha, sob pena de acionamento da Justiça Eleitoral.
A coexistência dessas duas iniciativas expõe uma marcante batalha de narrativas entre as próprias candidaturas preteridas pela liderança da pauta dos excluídos. De um lado, Wilson Grassi aposta em uma articulação política agregadora e de tom simbólico, percorrendo bastidores para coletar assinaturas e formar uma coalizão em torno do manifesto de desagravo. De outro, Samara Martins e a Unidade Popular privilegiam o embate jurídico-institucional, confrontando diretamente os critérios das emissoras e acusando favorecimentos pontuais a adversários específicos. Enquanto Grassi busca construir uma frente de fraternidade democrática, Samara atua para escancarar o viés do sistema e apontar discriminações formais.

Candidatos reunidos para o debate (Foto: Bruna Viana)
Diante desse cenário, a transmissão independente organizada por 3 Irmãos, Rádio MyNews VIP FM e Kritikê se consolida não apenas como espaço de apresentação de propostas, mas como o epicentro da resistência contra a exclusão eleitoral. Resta saber se, diante dos microfones do debate, os demais candidatos presentes irão aderir ao manifesto conjunto de Grassi ou seguiram o tom de denúncia jurídica de Samara Martins, transformando a insatisfação individual em uma postura unificada por igualdade de condições no pleito.
Assista ao Debate ao Vivo Para acompanhar a discussão na íntegra e conferir o confronto de ideias promovido em parceria por 3 Irmãos, MyNews e Kritikê.