Samara Martins registra candidatura no TSE, mas plano de governo protocolado é o de 2022 Samara Martins. Foto: divulgação Eleições 2026

Samara Martins registra candidatura no TSE, mas plano de governo protocolado é o de 2022

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Campanha diz ter corrigido o erro após o registro desta semana; nova versão do documento, obtida por esta coluna, detalha 16 propostas, entre elas o fim da escala 6×1 e a nacionalização de bancos e planos de saúde.

A candidata Samara Martins, da Unidade Popular (UP), registrou sua candidatura à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quinta-feira (6), tornando-se a primeira presidenciável a oficializar o pedido para as eleições de 2026. A chapa é formada inteiramente por mulheres, com a guarda portuária e sindicalista Raquel Bricio na vice-presidência. Além de Samara, Romeu Zema (NOVO) e Renan Santos protocolaram em seguida suas candidaturas junto ao Tribunal.

O plano de governo protocolado junto ao registro, porém, reproduz a versão utilizada na candidatura de 2022, quando Martins concorreu como vice na chapa encabeçada por Leonardo Péricles. Segundo integrantes da campanha, o documento errado foi enviado por falha do sistema interno, e a correção já teria sido solicitada ao TSE. Até a tarde desta sexta-feira (7), a nova proposta não havia sido publicada.

O Tribunal Eleitoral não retornou a coluna até o fechamento desta reportagem.

Nas redes sociais, relatos publicados sobre o teor do plano de governo então em vigor no cadastro do TSE mencionavam fim da Polícia Militar, eleição direta de juízes e jornada de 30 horas semanais — itens que não constam da versão obtida por esta coluna, mas estava presente no plano de governo de 2022.

Nova versão do documento

A coluna teve acesso à uma versão atualizada do plano de governo de duas páginas, que substituiria o material então registrado. O novo texto reúne 16 propostas organizadas em lista, com foco declarado em soberania nacional e valorização do trabalho.

No eixo trabalhista, o documento propõe reajuste de 100% do salário mínimo — hoje em R$ 1.621, segundo o texto —, fim da escala 6×1, jornada de 36 horas semanais e revogação das reformas trabalhista e da Previdência. Prevê ainda isenção de impostos para trabalhadores, taxação de grandes fortunas e fim de subsídios fiscais a monopólios.

Na área urbana, a proposta é estatizar o transporte público com passe-livre para estudantes e trabalhadores e tratar a especulação imobiliária como crime, associada à garantia de moradia digna a todas as famílias.

Nacionalização de bancos e planos de saúde

O texto mantém a suspensão do pagamento da dívida pública, seguida de auditoria, e amplia a nacionalização ao sistema bancário e aos planos de saúde privados — este último, um ponto novo em relação a versões anteriores do programa. A proposta prevê reforço do orçamento do SUS e exigência de que políticos utilizem exclusivamente saúde e educação públicas.

Em educação, o documento destina 10% do PIB à área e propõe o fim do vestibular e do Enem como critério de acesso à universidade.

Violência contra a mulher

O plano dedica um bloco à violência de gênero. Segundo o próprio texto, mais de 500 mulheres foram assassinadas nos quatro primeiros meses de 2026 no país — média de uma morte a cada cinco horas —, e cerca de 822 mil mulheres seriam estupradas por ano, o equivalente a dois casos por minuto. O documento afirma também que a Justiça concederia uma medida protetiva a cada 30 segundos. Esta coluna não verificou de forma independente esses números, atribuídos ao próprio material da campanha.

A candidatura associa a persistência da violência a um interesse econômico em manter salários mais baixos para as mulheres e defende salário igual, creche no local de trabalho e prisão imediata de agressores.

Chega de nossas riquezas serem roubadas pelos EUA, pela China ou pela União Europeia“, diz um trecho atribuído a Samara Martins no documento.

Alcântara e terras raras

Na política externa, o plano defende o fim da submissão brasileira a Estados Unidos, China e outros países classificados como imperialistas no texto. Duas medidas aparecem de forma explícita, como a retomada da Base de Alcântara e a revogação do contrato de fornecimento de terras raras a empresas estrangeiras.

O documento fecha com propostas de combate à corrupção — confisco de bens de corruptos e expropriação de empresas que utilizam trabalho análogo à escravidão — e retoma pautas de memória e justiça de transição, como punição a torturadores da ditadura, revisão da Lei da Anistia e desmilitarização das polícias.

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