colunista Fabio La Selva
Mentor de carreiras
OPINIÃO

Cinco lições de vida que aprendi no Vale do Silício

Morei e trabalhei no Vale do Silício pelo Google de 2017 a 2019, liderando uma operação de atendimento a parceiros de publicidade de todas as Américas
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Muito honrado pelo convite para escrever pela primeira vez aqui no MyNews, resolvi consultar amigos para pedir conselhos sobre qual assunto deveria compartilhar neste espaço. Resolvi seguir aquele que me sugeriu compartilhar aprendizados do Vale do Silício que transmito em minhas mentorias de carreira. 

Apenas como breve contexto, morei e trabalhei no Vale do Silício pelo Google de 2017 a 2019, liderando uma operação de atendimento a parceiros de publicidade de todas as Américas. E considero esta uma experiência de vida única, que me concedeu aprendizados valiosos, que humildemente compartilho. 

Um alerta importante: quando menciona-se “aprendizados do Vale do Silício”, é natural esperarem lições de inovação, tecnologia, produtividade ou criatividade. E por isso, preciso frustrar-lhes desde já, pois o que compartilho aqui, nada tem a ver com esses temas naturais do local. Na realidade, o Vale do Silício é apenas um mero detalhe dentre os aprendizados que tive, uma vez que se dissesse que foram experiências adquiridas na Argentina, Camboja ou interior de São Paulo, teriam o mesmo efeito. O Vale foi simplesmente o local em que tudo aconteceu. Dito isso, vamos aos aprendizados, que são cinco: 

1. Exercer genuína empatia: 

Muito tem se falado sobre a importância da empatia nas corporações e nos relacionamentos. Sobre pensar além do próprio umbigo e se colocar no lugar do outro. No entanto, no Vale percebi que tinha subestimado o poder da cultura. Lá, com pessoas do mundo inteiro se encontrando em um só local, nada mais normal que vivenciar um tremendo choque de cultura. E descobri que se colocar no lugar do próximo não é se imaginar como você se comportaria na pele do seu interlocutor, é ir além; é imaginar justamente como ele se sente considerando sua própria bagagem e vivência. O que é um desafio incrível quando se conhece pouco o outro, e muito menos a cultura de onde vem. Quando ignoramos este fato, a empatia acaba dando lugar ao julgamento. 

2. Alimentar o entusiasmo: 

O conhecimento técnico sobre sua função é importante. A experiência que você adquiriu ao longo dos anos também é importante. Mas tanto conhecimento e experiência não fazem cócegas, se não demonstrarmos atitude. O “fazer acontecer”. E o grande combustível da atitude é o entusiasmo. Em um ambiente altamente competitivo, indivíduos que alimentam e mantêm saudavelmente seu entusiasmo, impactam significativamente mais o seu entorno. É comum confundir este estado com a motivação, mas o entusiasmo vai além. Entusiasmo é aquela energia que quando você veste, os outros ao seu redor sentem e são impactados positivamente com isso. 

3. Praticar a ‘modelagem’ de talentos: 

Em um ambiente com profissionais incríveis e respeitáveis, escolha um que você realmente admire. Agora, observe. Observe seu comportamento. A sua fala. Como esta pessoa trata os

outros. Como soluciona um problema. Como encara um problema. Observe cada detalhe e depois, anote. Faça uma lista mesmo. O que essa pessoa faz que a torna um profissional excelente? E comece a fazer o mesmo, a “modelar” esta pessoa. A PNL, programação neurolinguística, vem há muito tempo estudando o comportamento humano e ensinando que a modelagem é eficiente em todos os campos, desde o mundo corporativo e relacionamentos interpessoais, até nos esportes. Garanto a você que a aplicação é simples e os resultados podem ser surpreendentes, basta observar e praticar. 

4. A importância da gratidão: 

Este é outro conceito muito abordado hoje em dia. Confesso que antes encarava a gratidão como papo de livro de auto-ajuda. Até que um dia, no Vale, tive a oportunidade de fazer um curso sobre a Psicologia Positiva. Fizemos um exercício de “diário da gratidão”, onde todos os dias, antes de dormir, os alunos teriam que listar 5 coisas que eram gratos por terem acontecido naquele dia. No início, admito que era chato e me sentia um pouco tolo em fazê-lo. Mas, em pouco tempo, a chatice se transformou em um hábito de reflexão prazeroso, e hoje estou há 4 anos praticando o exercício, sem pular um dia sequer. Me impressiono ao reparar como ele ajudou a mudar a minha percepção do mundo em que vivo. Hoje não preciso mais esperar o fim do dia para sentir a sensação de gratidão nas experiências que vivencio. Ela está presente comigo a todo momento naturalmente. 

5. Lapidar a inteligência emocional com a Auto-hipnose: 

Aprendi a importância de cuidarmos de nossa saúde mental. Sinto que é comum nos preocuparmos com os cuidados do nosso corpo, como ir à academia frequentemente, por exemplo. Mas pouco damos atenção às necessidades da nossa mente. Em um ambiente de pressão intensa e estresse constante, descobri que existem técnicas que nos auxiliam a encarar e administrar tamanha pressão. Meditação, mindfulness, respiração ritmada são algumas delas. Mas foi na auto-hipnose onde mais encontrei esse refúgio de renovação de energia. Através dessa prática, consegui melhorar meu foco e concentração, além de elevar minha inteligência emocional e resiliência. 

Estas são experiências muito pessoais. Lições que me transformaram a ser um profissional e uma pessoa melhor. Espero que elas tragam algum valor para você também. Ou que pelo menos te inspirem a se observar, e te auxiliem no seu próprio caminho de busca do autoconhecimento. 


Quem é Fabio La Selva

Fabio La Selva é mentor de carreiras e co-fundador da Cortex Academy

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