colunista Francisco Saboya
Superintendente do Sebrae Pernambuco

Os Pequenos Negócios e o Desafio da Inovação

Reduzir a assimetria tecnológica é a condição de sobrevivência e o maior desafio dos pequenos negócios hoje
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Pequenos negócios no Brasil envolvem três categorias de empreendimentos. Os MEIs – Microempreendedores Individuais (faturamento até R$ 81 mil/ano); as MEs – Microempresas (faturamento até R$ 360 mil/ano); e as EPPs – Empresas de Pequeno Porte (faturamento até R$ 4,8 milhões/ano). Juntas, totalizam perto de 18 milhões de estabelecimentos, em torno de 95% do total registrado na Receita Federal, e respondem por cerca de 54% dos empregos do país. Os MEIs equivalem a 60% desse contingente, abrigando profissionais autônomos, ambulantes, salões de beleza, profissionais da cultura e toda uma sorte de trabalhadores (existem quase 500 atividades enquadráveis). São mais de 10 milhões. É muito.

A pandemia trouxe visibilidade a essa fração do tecido produtivo, até porque foi ela a que mais sentiu os impactos da perda de renda com a falta de ocupação, despertando um misto de preocupação com uma crise social junto com um sentimento de solidariedade que chegou ao Congresso Nacional e levou à criação do auxílio emergencial para trabalhadores informais, desempregados, famílias de baixa renda e MEIs. MEs e EPPs foram contempladas com outros programas públicos, especialmente de crédito. Campanhas lideradas pelo Sebrae, como “Compre do Pequeno, Compre do Local” ajudaram a preservar um fluxo mínimo de renda para essas categorias de empreendedores.

Mas a ajuda oficial passa, e as dificuldades de se manterem vivos e competitivos permanecem as mesmas de sempre para os pequenos negócios. A pandemia ressaltou suas limitações com letras garrafais. O deficit de inovação é uma delas e ajuda a explicar o baixo dinamismo da economia brasileira nas últimas décadas. E aqui, o raciocínio vale tanto para os pequenos negócios como para os médios e grandes. Claro que estes últimos têm recursos e capacidade técnica para ajustarem suas estratégias e processos e responderem melhor aos novos desafios do mercado numa economia digital. Como ficou evidenciado neste ano que passou.

Já os PNs têm uma desvantagem em relação aos demais: eles são acentuadamente analógicos em suas práticas de negócios. Ao mesmo tempo, o consumidor final é hoje muito mais digital (são 70 milhões de pessoas que fazem compras online no país), condição que lhe dá poderes crescentes sobre os fornecedores pela facilidade de acesso a informações sobre produtos, preços, prazos de entrega, reputação do vendedor etc por meio de um simples telefone celular. Reduzir essa assimetria tecnológica é a condição de sobrevivência e o maior desafio dos pequenos negócios hoje.

A explosão do comércio eletrônico e outros serviços online representa a principal ameaça para os negócios tradicionais. Na fase mais crítica da pandemia, foram fechadas mais de 11 mil lojas nas unidades filiadas à Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), segundo estimativas da entidade. Número que se soma a outro tanto que já estava fechado antes da calamidade sanitária. Ainda assim, a situação nem de longe é tão dramática como a do comércio tradicional de rua, cuja decadência tem transformado os centros das cidades em verdadeiros escombros urbanos.

O e-commerce é irreversível. Dados mundiais compilados pela Statista para o ano de 2019 apontam para a existência de mais de 2 bilhões de consumidores virtuais e uma receita de U$ 3,5 trilhões, o que equivale a 15% do comércio global (a previsão para 2040 é de que 95% de todas as compras sejam online). E se no Brasil esse percentual é ainda baixo, de aproximadamente 8% do varejo interno, o ano de 2020 sinalizou um novo panorama: o volume de compras eletrônicas cresceu cerca de 40% (ou até mais, a depender da fonte dos dados) frente ao ano anterior, devendo manter um ritmo sustentado de crescimento de 17% a.a nos próximos quatro anos. De um modo geral, vendas eletrônicas crescem a uma taxa 5 vezes maior do que o comércio convencional.

O cenário está desenhado. Boa notícia para os pequenos negócios que apostarem em modelos inovadores de vendas suportados por tecnologias digitais puras ou combinadas com estratégias de vendas físicas, tirando partido da omnicanalidade. Péssima notícia para os que insistirem em encostar a barriga no balcão e esperar o cliente passar na porta da loja para fechar uma venda.

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