colunista Hermínio Bernardo
Produtor e repórter do MyNews

Pela memória de Kathlen

O corpo negro é o alvo da bala perdida
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Kathlen estava grávida de 4 meses. A jovem negra tinha 24 anos e estava na Zona Norte do Rio de Janeiro quando foi assassinada com um tiro de fuzil.

Ela caminhava com a avó no momento em que foi baleada na comunidade do Lins. Policiais afirmam que foram atacados por criminosos e houve tiroteio. A versão foi contestada por familiares e moradores, que apontam que os tiros partiram da polícia.

Kathlen tinha 24 anos e estava grávida de 4 meses. Foto: redes sociais.

Kathlen foi vítima da política de segurança de um país que mata mais pela cor. Negros são três vezes mais vítimas de homicídios que brancos. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostram que, entre 2008 e 2018, os homicídios de pessoas negras cresceram 11,5%. Já os homicídios de pessoas não negras caíram 12,9%.

Quase 80% das mortes ocasionadas em ações policiais são de pessoas negras. O corpo negro é o alvo da bala perdida. E isso tem de parar. Por Kathlen, João Pedro, Ágatha e tantas outras vítimas.

Em “Becos da memória”, Conceição Evaristo traz um belíssimo romance sobre temas do cotidiano, como o preconceito. Ela se aprofunda com delicadeza nas questões sociais que envolvem e atingem a favela.

O texto sem linearidade e com fragmentos traz um quebra-cabeça da memória, talvez da própria Conceição.

“Hoje, a recordação daquele mundo me traz lágrimas aos olhos. Como éramos pobres! Miseráveis talvez! Como a vida acontecia simples e como tudo era e é complicado! Escrevo como uma homenagem póstuma à Vó Rita. Homens, mulheres, crianças que se amontoaram dentro de mim, como amontoados eram os barracos de minha favela.”

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