A bandeira arco-íris foi integrada pelo movimento LGBTQIA+ nos anos 80, e hoje é símbolo mundial da causa. Foto: Jasmin Sessler (Pixabay).
Não pode ser normalizado o fato de uma pessoa ser atacada por sua existência, por sua identidade
Uma mulher trans sofreu uma tentativa de homicídio no Centro de Recife, em Pernambuco. Identificada como Roberta, ela sofreu queimaduras de terceiro grau em 40% do corpo após um homem atear fogo nela.
O agressor é um adolescente que tentou fugir, mas foi apreendido e autuado em flagrante. A vítima relatou ter sofrido LGBTfobia por causa da identidade de gênero e da orientação sexual dela. Ela continua internada e o estado de saúde dela é estável.
Não pode ser normalizado o fato de uma pessoa ser atacada por sua existência, por sua identidade. E isso deveria ganhar destaque em todo o país pela covardia e absurdo. Assim como o racismo, a homofobia é estrutural.

No Brasil, 175 pessoas trans foram assassinadas em 2020. Uma morte a cada dois dias, de acordo com a Antra, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil.
Como já comentei aqui no Literatura em Fatos em outra oportunidade, o Brasil é o país mais perigoso do mundo para pessoas trans. Sim, o Brasil é o pior lugar para uma pessoa trans em todo o planeta. O país lidera o ranking elaborado pela ONG Transgender Europe, que reúne dados de 71 nações. Isso sem falar da subnotificação.
Mundo afora, alguns países se destacam (negativamente). Um dos que mais vem chamando a atenção recentemente é a Hungria. O Parlamento húngaro aprovou uma lei que proíbe a divulgação nas escolas de conteúdos que promovam a pornografia no país. A lei aprovada faz parte da legislação contra a pedofilia e inclui a homossexualidade e a mudança de gênero. Na prática, criminaliza e restringe o direito básico à informação sobre a homossexualidade.
A proposta é do partido Fidesz, do primeiro-ministro Viktor Orbán, um ultraconservador que ataca os direitos da comunidade LGBTQIA+ para promover o que considera “valores cristãos”.
A nova lei foi alvo de protestos por toda a Europa, justamente no mês do orgulho LGBTQIA+, e chegou aos estádios da Eurocopa. A UEFA rejeitou a ideia da Prefeitura de Munique de iluminar o estádio com as cores do arco-íris para a partida entre Alemanha e Hungria. Em protesto, vários clubes alemães iluminaram seus estádios com as cores que representam o movimento LGBTQIA+. No jogo, milhares de bandeiras foram distribuídas.

A Uefa ainda investiga uma faixa homofóbica que foi colocada pela torcida húngara na partida contra Portugal e cantos racistas no jogo contra a França. A seleção húngara deveria ser suspensa pelos atos criminosos da torcida.
Na literatura, Léonor de Récondo traz um livro incrível sobre o tema. O livro “Ponto Cardeal” conta a história de Laurent, um homem casado, pai de dois filhos, que guarda o segredo de ser uma mulher. Laurent só se sente livre uma vez por semana, quando se torna Mathilda, quando está de vestido, salto alto e maquiagem.
Um excelente livro sobre a busca da própria identidade.
“Mathilda encaixa um espelhinho no centro do volante, se olha, se acha bonita e triste ao mesmo tempo, observa o queixo, o nariz, os lábios. É o momento do despojo, o pior momento.”