‘Tem militar em todo lado’, diz brasileira ao tentar sair da Ucrânia FUGA DO PAÍS

‘Tem militar em todo lado’, diz brasileira ao tentar sair da Ucrânia


Brasileiros que querem sair da Ucrânia após as invasões russas seguem sem conseguir. Por meio das redes sociais, eles têm feito relatos sobre o drama de estarem presos no país, sem muitas alternativas para escapar do conflito nas ruas ucranianas.

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“A gente chegou até a última cidade para passar na fronteira, não conseguimos, tem militar em todo lado. Os meninos tentaram avisar que eram brasileiros, eles [militares] empurraram. Eu tentei também, eles [militares] empurraram. Não deixam a gente passar. A gente está em um posto, a gente não tem coberta, o Benjamim [filho] tá dormindo, a gente não tem como voltar para trás, não tem como ir para frente. A gente não sabe o que fazer”, disse Vitória Magalhães, esposa de Juninho, jogador do Zorya, time da cidade de Luhansk.

Junto com ele estão os também brasileiros e jogadores do mesmo time Guilherme Smith e Cristian Fagundes. De acordo com Vitória, o grupo caminhou por mais de 10 horas a pé, entre a cidade de Lviv, no oeste da Ucrânia, e a fronteira com a Polônia. Quando chegaram ao local, eles não conseguiram ultrapassar o limite do país ucraniano e precisaram retornar a Lviv. Na cidade, eles se hospedados em um hotel, custeado pela embaixada do Brasil.

Outro grupo de brasileiros que tenta deixar o país ucraniano está na capital Kiev. A brasileira Maria Paula Marinho, mulher do jogador de futebol Marlon Santos, registrou em suas redes sociais o momento em que um comboio de brasileiros buscava deixar Kiev.

Nas imagens, Maria Paula aparece bastante emocionada. “Estamos saindo daqui agora, está tudo muito assustador. Só queria dizer que estamos a caminho e pedir que orem muito pela gente”, disse na gravação.

O grupo estava indo em direção à estação de trem. “A embaixada informou que vai ter três trens saindo daqui. Estamos saindo em comboio com todos os brasileiros”, contou. O veículo em que eles estavam tinha a bandeira do Brasil na frente, em uma tentativa de mostrar que não faziam parte do conflito.

No sábado (26), a Embaixada do Brasil informou que existem trens que estão levando os civis para cidades próximas a fronteira. Os jogadores, no entanto, relataram que não é seguro ir de carro até a estação de trem e que existem poucas formas para se chegar a esses locais.

Ainda na quinta-feira (24), data do início das invasões russas, jogadores brasileiros que estavam reunidos em um hotel se juntaram e gravaram o vídeo de apelo, pedindo para que o governo federal os ajudasse no resgate.

A Força Aérea Brasileira  pretende realizar uma operação de resgate aos brasileiros que estão na Ucrânia na terça-feira (1º). De acordo com informações da TV Globo, documentos obtidos pela emissora aponta que uma operação com duas aeronaves KC-390 será dirigida até a Polônia, para repatriar brasileiros.

Dentro das fronteiras

No sábado (26), a ucraniana, tradutora e pesquisadora Olena Vladyka falou sobre o clima de apreensão dentro das fronteiras ucranianas. Ela mora na cidade de Kiev, mas decidiu ir em direção ao oeste do país para o local onde seus pais moram, desde o início da invasão na quinta-feira (24).

“Eu não me sinto segura, porque aqui a nossa vila fica perto de um posto de exército regular, a uns 30 quilômetros desse local. A noite nós escutamos o barulho de bombardeamento a cada duas horas”, disse a ucraniana em entrevista ao Canal MyNews.

A conversa foi interrompida após o marido de Olena avisar que aviões sobrevoavam a casa em que a família está abrigada. Posteriormente, ela postou em suas redes sociais imagens da família abrigada em um porão, esperando o sobrevoo das aeronaves.

Confira a entrevista na íntegra no Canal MyNews:

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