colunista Luiz Gustavo Mariano
Headhunter e sócio da Flow Executive Finders
MERCADO DE TRABALHO

O que fazer com os profissionais que ficaram para trás?

Quando veio a pandemia, muita gente foi desligada e vagas foram encerradas. Como estão os profissionais que estão fora do mercado de trabalho?
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A pandemia teve início em março do ano passado. Um problema: como estão os profissionais que estão fora do mercado de trabalho desde aquela época e não pegaram a enorme onda de transformação digital que afetou e mudou a rotina de todas as empresas?

Faço essa pergunta porque é uma preocupação real. As mudanças estão ocorrendo em um volume muito grande e de uma maneira veloz. Há o risco de essas pessoas ficarem obsoletas em termos de gestão remota, de reuniões e ferramentas digitais, inclusive em relação ao acompanhamento de projetos, aos modelos de trabalho.

Quando veio a pandemia, muita gente foi desligada e vagas foram encerradas. E os negócios passaram esse tempo buscando uma ressignificação, dado o consumo mais digital e a impossibilidade de as pessoas irem ao escritório ou os consumidores saírem às ruas.

Profissionais desligados antes da pandemia não acompanharam as transformações no mercado de trabalho e devem ter dificuldade de se adaptar à nova realidade

Qual foi o efeito colateral disso?

As pessoas que foram desligadas antes da pandemia (ou em seu início) não pegaram toda essa transformação que está ocorrendo nos processos de trabalho. Então independentemente do nível da carreira ou do mercado em que essa pessoa atua, o cenário que temos é bem diferente daquele de fevereiro de 2020: as empresas mudaram completamente a forma de gerir projetos, de gerir pessoas, mudaram a maneira com que são feitas as interações pessoais. E as empresas estão agora estudando como atuar nesse modelo híbrido, meio presencial, meio remoto.

Atualmente, não basta apenas saber que existe uma ferramenta digital, saber fazer uma ligação por Zoom ou Teams – dentro do próprio Teams, por exemplo, é possível fazer a gestão dos processos e dos projetos, como se tudo estivesse se transformando num modelo de “sprint”, de metodologia ágil. Os silos das empresas foram “quebrados”, temos uma comunicação muito mais horizontal – o que pode até expor mais a liderança, mas ao mesmo tempo você ganha uma coisa mais transversal na companhia.

E, seja pelo mindset antiquado (acostumado a um modelo mais “waterfall”, com reuniões em salas fechadas e em relações mais baseadas num tom personalista, menos produtiva em relação a entregas claras), quem está fora do mercado não está pronto para esta nova realidade. Não sabe como tudo isso funciona na prática.

O que está ocorrendo é que essas pessoas que estavam fora do mercado e querem entrar agora vão, muito provavelmente, sofrer um bocado. Vão precisar passar por uma adaptação para se adequarem a uma realidade em que as empresas mudam a uma velocidade alta.

E o que dá para fazer?

As empresas terão de ajudar os novos colaboradores a entenderem as novas ferramentas, como os processos estão sendo desenvolvidos. Ter paciência para que essas pessoas se aperfeiçoem nesse novo modelo.

E os colaboradores terão de se informar sobre o funcionamento das empresas e aprender como atuar. Terão de ajustar o mindset para esse novo mundo mais transversal, com menos processos hierárquicos. E se ajustar aos novos aspectos de autonomia e de comportamento.

Os profissionais têm de se conscientizar de que terão de encarar uma adaptação. E as empresas precisam entender que será preciso ter paciência para receber essas pessoas. É uma via de dois sentidos.


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