Opinião

Trump é sintoma de uma doença muito mais grave

Trump representa um grupo que se sente acuado pelos novos tempos e não quer se adequar a esse contexto
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13 de janeiro de 2021
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
O presidente dos EUA, Donald Trump. (Foto: Aubrey Gemignani)

Trump não é A doença, ele é UM sintoma, grave é verdade, da doença. Qual doença? O americano WASP (White, Anglo Saxion, Protestant) em geral, o Redneck em particular, estão se sentindo acuados pelos novos tempos. Se sentem acuados de fora para dentro e de dentro para fora.

De fora para dentro por causa da ascensão da China. Não se trata apenas do fato de que o PIB chinês há de superar o americano, mas também da possível superioridade em tecnologia no médio prazo.

É preciso lembrar que, no período 1945 até 1970, aproximadamente, os EUA detinham 50% do PIB do planeta! Transposta esta situação para os números de hoje, teríamos que, num PIB global de US$ 80 trilhões de dólares, os americanos teriam US$ 40 trilhões e não os US$ 21 trilhões que efetivamente têm. Isso com uma população de 350 milhões de habitantes diante de uma população global de 6 bilhões. Em resumo, não é somente um PIB maior, mas o tamanho do protagonismo que ele permitiu.

Também se sentem acuados de dentro para fora devido às transformações demográficas internas em curso. Os brancos caucasianos, na margem, são minoria dada a maior taxa de crescimento da população negra, latina e todo e qualquer grupo que NÃO seja ariano.

Esse sentimento de perda, seja de protagonismo no mundo, seja de protagonismo doméstico, faz do WASP típico um saudosista xenófobo. Makeup America great again ou America first apela para esse imaginário, esses tempos em que os EUA eram grandes e, atenção, apenas os EUA eram grandes. Para eles, a perda dessa condição de exclusividade é inaceitável. Daí as críticas a uma ordem multilateral, por exemplo.

Num mundo multilateral é forçoso reconhecer a importância, a grandeza do outro. Insuportável para os tacanhos. Trump é apenas um sintoma da doença porque sabe a retórica que cala fundo na alma dos recalcados, exatamente como a retórica do Adolfo repercutia na alma do alemão humilhado pela derrota na primeira guerra mundial e pelo Tratado de Versalhes.

Sim, aquela Alemanha que foi uma fábrica de gênios durante 200 anos , agora estava de joelhos e haveria de se recuperar baseada na supremacia ariana. Outros são os tempos, outros são os textos, mas as entrelinhas são iguais. E, como diria Dona Benta, “quem quiser que conte outra”.


*Jorge Cimino Jr é economista. O texto foi escrito três semanas antes da invasão ao Capitólio por apoiadores de Donald Trump, que incitou o ato

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