Paulo Delgado: ‘O Brasil precisa criar o seu próprio TikTok’ Tela do celular com aplicados de redes sociais | Foto: Reprodução/Pixabay

Paulo Delgado: ‘O Brasil precisa criar o seu próprio TikTok’

Ex-deputado defende que, se o país deseja contestar o poder dos EUA, não pode fazê-lo nos espaços digitais criados por eles

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  • Ex‑deputado Paulo Delgado afirmou que o Brasil deve criar sua própria versão do TikTok para reduzir a dependência das redes americanas.
  • Segundo Delgado, na lógica de Donald Trump, o principal antagonista no Brasil seria o ministro Alexandre de Moraes, e não o presidente Luiz Inácio Lula.
  • O ex‑parlamentar criticou a “briga” entre Lula e Moraes, dizendo que o presidente “compra” o conflito do ministro.
  • Delgado concluiu que, para contestar o poder dos EUA, o país precisa deixar de usar as plataformas digitais americanas.

A dependência do Brasil em relação às plataformas digitais americanas é, para o ex-deputado federal Paulo Delgado (PT-MG), um dos sintomas mais graves da fragilidade tecnológica e política do país. Em entrevista, ele argumenta que governo e Supremo Tribunal Federal (STF) estão presos a uma contradição: reagem aos Estados Unidos justamente a partir das redes sociais controladas por empresas americanas. O resultado, diz, é uma disputa desigual que revela a falta de soberania digital brasileira.

“O problema do Brasil é que responde aos EUA pelo Twitter (que mudou o nome para X depois da compra por Elon Musk). Ou seja, governo e STF reagem aos EUA pelas redes sociais americanas. É preciso criar o TikTok brasileiro”, afirmou.

Para Delgado, a política internacional também se reflete no Brasil por meio de personagens que simbolizam trincheiras opostas. Ele observa que, na lógica do presidente Donald Trump, o seu antagonista não é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo. “Na verdade o Trump tem a certeza que o correspondente a ele no Brasil é o Moraes. Por isso o enfrentamento dele é o Moraes e não Lula. É um absurdo o Lula comprar a briga do Moraes”, disse.

O ex-deputado defende que, se o país deseja contestar o poder dos EUA, não pode fazê-lo nos espaços digitais criados por eles. “Precisam parar de falar com os EUA na rede deles. Se você quer confrontar os EUA não use as redes”, resumiu.

O problema de fundo, segundo ele, é tecnológico e estratégico. “O país não tem tecnologia para ter raiva proporcionalmente. O Brasil abandonou a luta pela tecnologia”, concluiu.

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