Ele levou quatro anos para decidir. Sobraram três meses Foto: divulgação

Ele levou quatro anos para decidir. Sobraram três meses

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Em julho, um empresário do interior de São Paulo me ligou decidido. Queria protocolar o EB-5 antes de 30 de setembro. Tinha o capital, tinha a família alinhada, tinha pressa. Perguntei se já havia começado a reunir os documentos que provam a origem lícita do dinheiro. Silêncio. Ele não tinha começado. Achava que era assinar […]

Em julho, um empresário do interior de São Paulo me ligou decidido. Queria protocolar o EB-5 antes de 30 de setembro. Tinha o capital, tinha a família alinhada, tinha pressa.

Perguntei se já havia começado a reunir os documentos que provam a origem lícita do dinheiro.

Silêncio.

Ele não tinha começado. Achava que era assinar papéis. São até sete anos de declarações fiscais, cada intermediário por onde o dinheiro passou, cada centavo rastreado. A preparação é trabalhosa e quase nunca entra no calendário.

Antes disso, levou quatro anos para decidir. E foi honesto: não era indecisão. Era a escola dos filhos, a empresa, o patrimônio. Uma vida inteira em jogo.

Quatro anos para decidir, três meses para executar. É sempre nessa ordem — e é aí que o prazo escapa.
30 de setembro blinda o processo com as proteções jurídicas atuais. Isso ele sabia.

O que ele não sabia é que existe um segundo relógio. Em 1º de janeiro de 2027, os valores mínimos sobem pela inflação americana: de US$ 800 mil para até US$ 937,5 mil, segundo o mercado. Meio milhão de reais a mais pelo mesmo Green Card.

Ele começou naquela semana.

Trabalho com isso há quase dez anos. A conversa que mais se repete não é sobre risco nem valor. É sobre tempo: “eu devia ter começado antes”.

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