INSS acelera análises, mas segurados ainda enfrentam negativas em minutos e longas esperas Agência do INSS | Foto: Arquivo/Agência Brasil

INSS acelera análises, mas segurados ainda enfrentam negativas em minutos e longas esperas

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Automação permite que pedidos de aposentadoria sejam negados em poucos minutos, enquanto especialistas alertam para falhas na análise de documentos e aumento da judicialização

A modernização dos serviços do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) criou uma contradição para milhões de brasileiros. De um lado, a tecnologia acelera a análise de benefícios. De outro, muitos segurados recebem negativas em poucos minutos e precisam enfrentar meses de espera para conseguir uma revisão.

Dados divulgados pela Folha de S.Paulo mostram que alguns pedidos de aposentadoria receberam resposta em apenas seis minutos. O advogado especialista em Direito Previdenciário Rômulo Saraiva afirma que os sistemas automatizados concentram a análise nas informações registradas no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS).

O problema das negativas automáticas

Segundo Saraiva, quando o sistema encontra alguma divergência cadastral, ele encerra a análise rapidamente. Com isso, documentos anexados pelos segurados podem ficar fora da avaliação inicial. A situação afeta principalmente trabalhadores rurais, profissionais expostos a agentes insalubres e pessoas que tiveram vínculos reconhecidos por decisões trabalhistas.

Como resultado, muitos brasileiros precisam apresentar recursos administrativos ou recorrer à Justiça para comprovar períodos de trabalho e garantir direitos previdenciários. Dessa forma, a rapidez na análise nem sempre significa uma decisão mais precisa.

Governo amplia atendimento da Central 135

Enquanto as críticas ao modelo automatizado crescem, o Ministério da Previdência Social investe na ampliação do atendimento aos segurados. A pasta reformulou a Central 135 e integrou serviços em uma nova plataforma tecnológica.

Além disso, a estrutura ganhou novos operadores e ferramentas de triagem por voz. A expectativa é ampliar a capacidade de atendimento em cerca de 1,4 milhão de contatos por mês e alcançar até 8 milhões de ligações mensais.

Atendimento melhora, mas desafio permanece

A nova estrutura deve facilitar agendamentos, emissão de certidões e esclarecimento de dúvidas. Com isso, o governo espera reduzir filas telefônicas e evitar deslocamentos desnecessários até as agências do INSS.

No entanto, especialistas afirmam que o reforço nos canais de atendimento não resolve sozinho os problemas das análises automatizadas. Para eles, o INSS precisa aperfeiçoar os critérios utilizados pelos sistemas digitais. Caso contrário, a tecnologia continuará acelerando negativas e empurrando milhares de segurados para disputas judiciais que poderiam ser evitadas.

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