A crise invisível dos fertilizantes que ameaça o agronegócio brasileiro Foto: Blog Syngenta Digital programa interesse nacional

A crise invisível dos fertilizantes que ameaça o agronegócio brasileiro

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A disparada de preços do enxofre e o estrangulamento do crédito rural travam a produção nacional e colocam em risco a balança comercial do país

Durante uma conversa entre o embaixador Rubens Barbosa e o executivo Eduardo Monteiro no programa Café do MyNews desta sexta-feira, dia 28, a vulnerabilidade do agronegócio brasileiro voltou ao centro do debate. A dependência externa do Brasil em relação aos insumos agrícolas atingiu um ponto crítico. A escalada dos conflitos geopolíticos no Leste Europeu e no Oriente Médio desestruturou o fornecimento global de enxofre. Trata-se de uma matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados. Com a cotação internacional do insumo saltando de menos de US$ 100 para US$ 1.200 por tonelada nos últimos quatro anos, a produção nacional tornou-se inviável. Esse cenário forçou indústrias do setor, como a Mosaic, a hibernarem gradativamente suas fábricas no país. O movimento expõe a severa vulnerabilidade de um setor responsável por um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Crise de crédito agrava o cenário no campo

Além do gargalo internacional de matérias-primas, o produtor rural enfrenta um severo aperto financeiro interno. As altas taxas de juros e o endividamento crescente criaram um ambiente de forte restrição de crédito. Adicionalmente, o aumento acentuado nos pedidos de recuperação judicial fez com que os bancos adotassem uma postura extremamente cautelosa. Por consequência, a liberação de recursos para a compra de insumos essenciais sofre atrasos críticos. A poucos dias do fim do vazio sanitário, estimativas indicam que entre 15% e 20% das compras de fertilizantes para o plantio ainda não foram concluídas.

Efeito dominó pode custar R$ 30 bilhões à economia

O desequilíbrio entre custos de produção elevados e a retração na aplicação de nutrientes já desenha um impacto severo no campo. Especialistas preveem uma queda potencial de 5% a 7% na produtividade da lavoura de soja. Esse recuo gera desdobramentos diretos em serviços de armazenagem, transporte e arrecadação de impostos nos polos produtores. O prejuízo indireto na economia pode atingir de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões. Diante desse risco, a indústria solicitou ao governo federal uma subvenção emergencial de R$ 2 bilhões para a compra de enxofre. A medida busca reativar a produção fabril nos próximos meses e conter perdas astronômicas.

Soluções estruturais exigem visão de longo prazo

Para além das ações emergenciais, a superação desse gargalo histórico exige estratégias geopolíticas e tecnológicas contínuas. Embora planos governamentais projetem metas para os próximos anos, o setor privado defende o fortalecimento de acordos bilaterais e a diversificação de parceiros comerciais. Paralelamente, ganham força iniciativas focadas na reciclagem de subprodutos como o gesso e no aproveitamento do refino de petróleo nacional. Reduzir a dependência de insumos importados permanece como o maior desafio estrutural para garantir a segurança alimentar e a estabilidade econômica do Brasil.

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