O que falta para o Brasil virar uma potência global? Foto: Governo de Rondônia interesse nacional com rubens barbosa

O que falta para o Brasil virar uma potência global?

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Entre abundância de recursos naturais e desarticulação política interna, especialistas debatem as barreiras que impedem o país de assumir papel de liderança na nova ordem geopolítica

A transição de um mundo unipolar para uma nova dinâmica global — marcada pelas disputas entre Estados Unidos, China e Rússia — redefiniu os rumos da diplomacia internacional. Em debate promovido no programa Café do MyNews, o embaixador Rubens Barbosa, o diplomata Eduardo Gradilone e o professor de Relações Internacionais da FGV, Matias Spektor, analisaram o cenário geopolítico e projetaram as razões pelas quais o Brasil ainda enfrenta dificuldades para consolidar sua posição entre as grandes potências do planeta.

Do ponto de vista estratégico, o país reúne trunfos invejáveis para liderar as transformações das próximas décadas. O Brasil conta com matrizes abundantes de energia limpa e fóssil, capacidade massiva de produção agrícola, vastas reservas de água potável e terras raras cruciais para a indústria tecnológica. Contudo, conforme apontou Spektor, o grande obstáculo nacional não reside na escassez de ativos, mas na fragilidade da governança interna e na captura das políticas públicas por grupos de interesse, que fragmentam o foco do Estado e impedem o alinhamento em torno de um projeto nacional de longo prazo.

A desarticulação política reflete diretamente na capacidade de resposta aos choques externos. Crises recentes no Oriente Médio e na Europa, além do risco de bloqueios em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, expuseram a dependência brasileira quanto ao fornecimento de insumos essenciais, como fertilizantes e trigo. Sem uma estratégia clara de segurança econômica, o país permanece exposto às oscilações e sanções das guerras comerciais travadas pelas grandes potências, ameaçando o desempenho de setores vitais como o agronegócio.

Para que o Brasil supere essa posição passiva e se consolide como potência global, os especialistas apontam para a necessidade de um ajornamento urgente de sua agenda externa. Isso exige ir além do tradicional ecletismo diplomático: o país precisa estruturar parcerias estratégicas na Ásia para além do mercado chinês, assumir o protagonismo na economia do clima — integrando a preservação ambiental aos negócios de transição energética — e modernizar sua infraestrutura digital. Somente integrando eficiência interna a uma diplomacia assertiva o Brasil poderá transformar seu potencial em efetivo poder geopolítico.

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