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Envelhecimento populacional, custos tecnológicos e informalidade ameaçam o financiamento da saúde pública no Brasil
A discussão sobre o orçamento público corre à margem do interesse do cidadão. Contudo, essa base de recursos define a qualidade da saúde, da educação e da segurança. Enquanto o público se distancia do tema, o Congresso Nacional altera regras fiscais e pisos constitucionais sem alarde. Consequentemente, o orçamento vira refém de negociações políticas e de emendas parlamentares sem qualquer planejamento.
Paralelamente, a saúde pública caminha para um colapso estrutural nos próximos anos. O envelhecimento rápido dos brasileiros, o custo elevado de novas tecnologias e a expansão do trabalho informal pressionam o SUS. Além disso, planos privados encarecem as mensalidades para a terceira idade e expulsam os usuários mais velhos. Diante desse cenário, a rede pública terá que absorver essa demanda em meio a novas propostas de corte de verbas.
Ao contrário da gestão financeira doméstica, a partilha de recursos no setor público envolve intensos conflitos de interesses. Por isso, a sociedade precisa exercer vigilância constante sobre as decisões de Brasília. Do contrário, disputas políticas continuarão sufocando projetos vitais de atendimento social.
Infelizmente, grande parte do Congresso evita encarar esse debate técnico. Parlamentares de diferentes espectros políticos priorizam temas de alto apelo nas redes sociais em busca de engajamento rápido. Em contrapartida, medidas que alteram benefícios e verbas sociais tramitam sem o devido escrutínio da população.
Por fim, democratizar o debate orçamentário é uma urgência nacional. O Poder Público deve traduzir a linguagem técnica das finanças para o cotidiano do brasileiro. Apenas com transparência e informação, a sociedade conseguirá cobrar um planejamento fiscal realista que garanta o funcionamento do Estado.