Transformação no setor de serviços altera o comércio e o mercado de trabalho no Brasil Foto: NuvemShop ALMOÇO DO MYNEWS

Transformação no setor de serviços altera o comércio e o mercado de trabalho no Brasil

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Mudanças estruturais no consumo impulsionam o e-commerce, reduzem a circulação em lojas físicas e redirecionam trabalhadores demitidos para a economia de entregas

Avanço das plataformas digitais e retração das lojas físicas

O setor de serviços e o comércio varejista enfrentam uma profunda transformação estrutural impulsionada pelo crescimento das compras virtuais. Durante entrevista no programa Almoço do MyNews, apresentada por Guga Mendonça, o diretor de redação do Mais Nordeste, Cláudio Conceição, analisou os impactos do e-commerce no mercado nacional. Plataformas digitais como Mercado Livre, Amazon e Shopee ganharam força e expandiram a participação no comércio. A praticidade do atendimento online e os prazos de entrega reduzidos enfraqueceram o fluxo de consumidores em estabelecimentos presenciais. Conceição apontou o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia como exemplo desse cenário. Além das lojas de rua, os shopping centers registraram diminuição na circulação de público e queda real de 25% no faturamento entre 2019 e 2025.

Digitalização bancária e fechamento de agências

A migração para os meios digitais também atingiu o sistema financeiro tradicional. Os bancos reduzem gradativamente o número de agências físicas em razão do atendimento remoto e das transações via celular e computador. A consolidação de ferramentas de pagamento instantâneo como o Pix acelerou essa mudança comportamental no consumo de serviços bancários. O contato com gerentes ocorre prioritariamente por aplicativos de mensagens e chamadas telefônicas. Esse encerramento de postos de atendimento físico altera a dinâmica das cidades e reduz vagas de emprego presenciais na área bancária.

Migração profissional e crescimento do setor de entregas

Os trabalhadores demitidos do varejo físico e das agências bancárias passam a integrar o contingente de entregadores e motoristas de aplicativos. No terceiro trimestre, o número de entregadores registrou um crescimento de 30% em relação ao trimestre anterior, alcançando cerca de 600 mil profissionais. Alterações trazidas pela reforma trabalhista flexibilizaram a jornada de trabalho e permitiram a complementação da renda familiar por meio dessas entregas. O encerramento de estabelecimentos comerciais impacta a competitividade e a vida econômica de municípios do interior, como Ourinhos, em São Paulo, onde cresceu o número de imóveis comerciais disponíveis para locação.

Endividamento da população e ausência de proteção social

O alto nível de endividamento e a elevação das taxas de juros afetam a capacidade de consumo da população brasileira. Cerca de 39% dos cidadãos possuem dívidas médias de R$ 7.000,00, enquanto a renda média mensal registrada pelo IBGE situou-se em R$ 3.300,00 em 2025. Em junho, o total de inadimplentes atingiu 84 milhões de pessoas no país, motivando iniciativas governamentais como o programa Desenrola. Paralelamente, o aumento de trabalhadores atuando como entregadores formais ou informais gera discussões sobre a falta de amparo assistencial e de garantias de proteção social para essa categoria.

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