Por onde andam os petistas “culpados” pelo impeachment de Dilma Foto: rede social X de Dilma DEZ ANOS DEPOIS

Por onde andam os petistas “culpados” pelo impeachment de Dilma

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Dez anos após o processo contra Dilma na Câmara, MyNews lembra o episódio e como tudo começou, com a recusa de apoio a Cunha

Dois de dezembro de 2015, final da tarde. O então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reúne uma pequena multidão no Salão Verde da Câmara, no púlpito das autoridades, para anunciar a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff. Pura vingança.

Horas antes, no Conselho de Ética, os três petistas titulares do colegiado anunciaram que votariam a favor da perda do mandato do todo-poderoso da Casa. Cunha foi acusado de mentir na CPI da Petrobras ao afirmar que não tinha contas no exterior, o que não era verdade. Os deputados do PT eram: Leo de Brito (AC), Valmir Prascidelli (SP) e Zé Geraldo (PA).

O PT pagou caro por não ter aceitado a chantagem de Cunha, com a abertura do processo e sua aprovação no plenário da Câmara em17 de abril de 2016, dez anos atrás. Dois meses depois, o Senado sacramentava o impeachment.

Cunha foi cassado no Conselho de Ética em junho de 2016, pelo placar de 11 votos a favor e 9 contra a perda de seu mandato. Os votos dos três petistas entre esses 11. Mas por onde anda esse trio?

Leo Brito não disputará cargo eletivo esse ano e ocupa atualmente o cargo de assessor parlamentar do Ministério da Educação no Congresso Nacional, nessa função desde o início do governo Lula. Prascidelli, até o ano passado, estava lotado na Secretaria de Relações Institucionais do Planalto, onde trabalhou junto o então ministro da articulação política, Alexandre Padilha. Também não deve disputar. E Zé Geraldo  é um dos vice-presidentes do PT e irá disputar uma vaga de deputado estadual no Pará.

Os três não se mostraram arrependidos por terem negado apoio a Cunha, mesmo que suas posições levaram ao  impeachment de Dilma. Meses depois, eles fizeram o relato do episódio:

“Vocês não têm ideia do que era nossa aflição. A pressão sobre nós foi muito grande. E pressão do Eduardo Cunha. Estava claro que, se votássemos contra ele, seria aberto o processo de impeachment contra a presidenta Dilma. Eduardo Cunha não blefa nesse tipo de coisa”, disse Leo de Brito ao O Globo, em maio de 2016.

“Olhando para trás, não tínhamos dúvida que Cunha também seria afastado”, contou Prascidelli à época. Cunha foi cassado e preso na Operação Lava Jato.

“Tinha gente no PT que achava que não valeria a pena brigar com Eduardo Cunha, que não seria positivo. Não tínhamos nenhuma sustentação do partido. Íamos virar reféns dele (Cunha) se o apoiássemos. Seria um suicídio político”, afirmou Zé Geraldo, também naquele ano.

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