Divisão no governo sobre “taxa das blusinhas” expõe embate entre política fiscal e pressão eleitoral Foto: Cofen

Divisão no governo sobre “taxa das blusinhas” expõe embate entre política fiscal e pressão eleitoral

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Falas de Geraldo Alckmin e José Guimarães revelam desacordo sobre tributação de importados e rumo das contas públicas

As declarações de integrantes do alto escalão do governo federal nesta quinta-feira (16) escancararam uma divisão interna sobre a chamada “taxa das blusinhas”, o imposto aplicado sobre compras internacionais de baixo valor. Enquanto o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, defendeu a revogação da medida, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, reforçou a necessidade de manter a tributação para proteger a indústria nacional.

Guimarães afirmou que sempre foi contrário à aprovação da taxação e classificou a medida como um dos principais fatores de desgaste político do governo. Para ele, a eventual revogação seria positiva, especialmente diante do impacto sobre consumidores de menor renda. O ministro também sinalizou que, em um cenário de pressão econômica, o governo poderia considerar aumentar o endividamento público para sustentar o que chamou de “economia popular”.

Já Alckmin adotou uma posição oposta e destacou que, mesmo com a taxação, os produtos importados ainda possuem carga tributária inferior à enfrentada pelos produtores brasileiros. Segundo ele, a manutenção da medida é necessária para garantir condições mais equilibradas de concorrência. A fala reforça o alinhamento com a equipe econômica, que tem defendido cautela fiscal e a preservação das receitas.

O embate ocorre em meio a um cenário de atenção crescente com a trajetória da dívida pública. Dados recentes apontam que a dívida bruta do governo geral já alcança 79,2% do PIB, com projeções de alta nos próximos anos. O Ministério da Fazenda reiterou o compromisso com a redução sustentável desse indicador, evidenciando o contraste entre alas do governo: de um lado, a pressão por medidas de estímulo e alívio ao consumidor; de outro, a defesa de maior rigor fiscal, especialmente em um contexto de ano eleitoral e incertezas econômicas agravadas pela guerra no Oriente Médio, segundo a CNN.

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