Ernesto Araújo diz que Bolsonaro faz governo sem alma, nem ideal O futuro ministro das Relações Exteriores, embaixador Ernesto Fraga Araújo, concede entrevista à imprensa no CCBB. POLÍTICA

Ernesto Araújo diz que Bolsonaro faz governo sem alma, nem ideal

Um mês após demissão, ex-ministro das Relações Exteriores escreveu ainda que projeto de “construir uma grande nação minguou no projeto de construir uma base parlamentar”

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  • Ex‑ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo criticou via Twitter o governo de Jair Bolsonaro, chamando‑o de “administração tecnocrática sem alma nem ideal”.
  • A postagem foi feita no sábado, 1º de novembro de 2018, após Araújo ter pedido demissão há um mês por atritos com o Congresso e a senadora Kátia Abreu.
  • Araújo afirmou que o governo deixou de ser “popular, audaz e visionário” e passou a focar apenas em uma base parlamentar.
  • Ele disse que, apesar da esperança de transformar o Brasil em “verdadeira democracia” com a eleição de 2018, o projeto perdeu força.

Em uma série de postagens publicadas no Twitter, o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, que há um mês pediu demissão após atacar a senadora Kátia Abreu (PP-TO) e sofrer com pressão do Congresso, criticou o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) neste sábado (1º).

“Um governo popular, audaz e visionário foi-se transformando numa administração tecnocrática sem alma nem ideal. Penhoraram o coração do povo ao sistema. O projeto de construir uma grande nação minguou no projeto de construir uma base parlamentar”, escreveu o ex-chanceler, que atualmente desempenha uma função mais modesta no Itamaraty.

Ernesto Araújo diz que Bolsonaro faz governo sem alma, nem ideal. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil - 14/11/18
Ernesto Araújo diz que Bolsonaro faz governo sem alma, nem ideal. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil – 14/11/18

Araújo destacou ainda que assistiu ao processo de transformação do governo com “angústia e inconformidade”. “Fiz o que pude, até onde pude, para preservar a visão original. Nisso estive quase sozinho. Vi confiscarem ao Presidente seu sonho, anularem suas convicções, abafarem sua chama. (Não deixei que abafassem a minha.)”, destacou.

Para o ex-chanceler, com a eleição de Bolsonaro em 2018, o povo brasileiro ganhou a chance de transformar o Brasil numa “verdadeira democracia”, mas o projeto perdeu força. “Chegamos a avançar. Mas, a partir de meados de 2020, a reação do sistema, cavalgando a pandemia [de covid-19], começou a desmantelar essa esperança”, apontou.

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