Filho do porteiro

Guedes não seria ministro sem o racismo estrutural brasileiro, diz professor da USP

Pesquisador diz que FIES, ProUni e cotas foram uma "revolução" no ensino superior brasileiro
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Daniel Cara, cientista político e professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, diz que a afirmação do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre filhos de porteiros nas universidades demonstra uma falta de compromisso público com o povo brasileiro.

Guedes disse que o Fundo para Financiamento Estudantil (FIES) foi um “desastre” por dar “bolsa pra todo mundo”. A fala ocorreu em uma reunião quando Guedes supostamente não sabia que estava sendo gravado.

“É com muita dor que eu digo isso. Se o Brasil não tivesse uma estrutura de altar em privilégios e se o Brasil não fosse um país que é acometido por um racismo estrutural extremamente nefasto, certamente Paulo Guedes jamais seria Ministro da Economia”, argumenta o professor da USP.

Maria Ines Fini, pedagoga e ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), classifica a fala de Guedes como injusta e desrespeitosa.

“Do meu ponto de vista, é absolutamente injusto e [uma] falta de respeito com os jovens brasileiros e suas famílias, principalmente com as condições que determinam sua vulnerabilidade. Dizer que o Governo Federal jogou dinheiro fora, acolhendo de maneira compensatória, porque não podia oferecer vagas para todos na rede pública, acolhendo esses alunos no projeto estudantil, considero extremamente inoportuna as afirmações do senhor ministro”, opina Fini.

Daniel Cara destaca três políticas públicas de ensino à educação superior que foram implementadas: FIES, ProUni e cotas.

“Concretamente, FIES, ProUni e principalmente, a política de cotas, eles têm significado uma mudança total na estrutura da formação da ciência, na estrutura da pesquisa no Brasil. É uma revolução que não é silenciosa, é uma revolução que muitas pessoas não percebem, mas logo logo a gente vai poder dizer que figuras como Paulo Guedes, jamais vão ser ministros na República Federativa do Brasil.”

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