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Investigação da PF contra Sônia Guajajara é recheada de teorias da conspiração, diz Rubens Valente

Jornalista investigativo teve acesso a documentos e critica o uso partidário da Funai
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Para o jornalista e escritor Rubens Valente, a investigação da Polícia Federal contra Sônia Guajajara mostra o uso político da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e configura uma situação “esdrúxula”, já que o órgão que deveria cuidar dos direitos dos povos indígenas.

Além de Sônia Guajajara, Almir Suruí, líder indígena de Rondônia, também entrou na mira da Polícia Federal após fazer críticas ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

De acordo com Valente, os procedimentos foram abertos por iniciativa da Funai de Brasília e a petição traz informações sobre atividades políticas das lideranças indígenas durante a pandemia de covid-19.

Valente relata que teve acesso à manifestação feita contra Sônia Guajajara, feita pelo atual presidente da Funai, Marcelo Xavier, e diz que o documento é composto por apenas 5 páginas e traz “muita teoria conspiratória” e acusa a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) de comunismo.

“Eram críticas que foram feitas e dados que foram coletados e divulgados. Isso, no entender do presidente da FUNAI, configuraria uma difamação”, explica o jornalista.

A APIB questiona os cálculos de letalidade da pandemia entre os indígenas feitos pelo Governo Federal e mantém seu próprio acompanhamento do assunto. Segundo o grupo, a pandemia já atingiu 163 povos indígenas, causando 1.060 mortes neste segmento da população.

Valente comenta que a Funai, que é o órgão que deveria cuidar dos direitos dos indígenas, não está cumprindo seu propósito. Ele lembra que o embrião da Funai foi criado pelo militar Marechal Cândido Rondon, em 1910, com o Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais.

“Infelizmente, estamos nessa situação esdrúxula, absurda de um órgão federal criado e mantido pelo contribuinte para a defesa dos direitos indígenas […] passar a acusar os indígenas e defender o presidente da República, defender o governo, esse papel da defesa já é atribuição da Advocacia-Geral da União, mas a Funai, neste governo, entende que deve fazer esse papel”, critíca Valente.

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