colunista Luiz Gustavo Mariano
Headhunter e sócio da Flow Executive Finders

Técnica e instinto

Temos a tendência de agir instintivamente e, consequentemente, não damos o devido valor a aspectos técnicos que poderiam basear as nossas decisões
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

Imagine a seguinte situação. Você está visitando uma amiga. Ela diz que tem duas crianças. Suponha que cada vez que alguém tem uma criança, a probabilidade de ter uma menina é a mesma que a probabilidade de ter um menino (e que o fato de a mãe ter um menino ou uma menina na primeira vez não afeta as probabilidades envolvidas no segunda vez). A amiga te diz que pelo menos uma das crianças é uma menina. Qual é a probabilidade de que a outra criança também seja uma menina?

(Pense na resposta.)

Se você respondeu 50% ou pensou que por trás dessa pergunta tinha uma pegadinha, você provavelmente usa atalhos mentais para resolver esses problemas preditivos ou de avaliação. E esses atalhos que utiliza para resolver esse tipo de problema você provavelmente faz uso dessa mesma característica empírica para tomar decisões e fazer escolhas sobre negócios e sobre pessoas no dia a dia da sua organização.

Exemplos desse tipo de comportamento. Quem contrata por empatia, em uma demissão tende a agir por sintonia, já em uma promoção segue preferências pessoais, e no momento de distribuir bônus aufere performance de um jeito não tangível. E por aí vai.

Além disso, esse tipo de profissional geralmente não costuma ouvir os pares e/ou os subordinados na hora de desenhar um projeto; e insiste, sem muito estudo ou lógica, que a sua opinião é a melhor (e, já testemunhei casos em que um profissional não exerce o poder de veto e fica imóvel na hora de tomar uma decisão justamente para paralisar uma outra – é o típico movimento de pessoas não colaborativas que engessam uma empresa e fazem o grupo perder uma oportunidade que chega à mesa).

Imagem de referência de escritório. Foto: Social Cut/Unsplash
Imagem de referência de escritório. Foto: Social Cut/Unsplash

O israelense Daniel Kahneman ganhou um Nobel de economia em 2002 pelo seu trabalho com economia comportamental. Ele mostra como o homem muitas vezes age por instinto, pela emoção, independentemente de sua capacidade técnica e teórica. As ideias de Kahneman são muito aplicadas ao mercado financeiro (as pessoas têm uma propensão maior a levar em consideração as possibilidades de perda do que as chances de ganho), mas podem ser levadas ao ambiente corporativo. Temos a tendência de agir instintivamente e, consequentemente, não damos o devido valor a aspectos técnicos que poderiam basear as nossas decisões.

É preciso tomar cuidado e estar atento, porque todos nós temos vieses inconscientes poderosos que nos coíbem de construir algo melhor e, de fato, colaborar. Trabalho em equipe, buscar o crescimento da empresa e ter em mente um bom resultado: tudo isso exige autocontrole, desenvolver e aprofundar os temas importantes e, também, deixar o ego de lado e pensar com o cérebro.

PS: a resposta para a pergunta do início deste texto: a probabilidade do segundo filho ser uma menina é de um terço. Sabe explicar o porquê?

Relacionadas
MENSAGEM
O precursor do ‘fora do escritório’ pode ser encontrado nos países mediterrâneos, onde uma nota manuscrita colada em frente de uma loja anuncia: ‘fechado em agosto, voltamos em setembro’
O que muitas vezes não entendemos é que aquilo que é um problema para um, pode ser um desafio energizante para outra pessoa
MERCADO DE TRABALHO
Quando veio a pandemia, muita gente foi desligada e vagas foram encerradas. Como estão os profissionais que estão fora do mercado de trabalho?
Desenvolvimento
O desenvolvimento da diversidade dentro do âmbito profissional reflete o progresso econômico da sociedade como um todo
Inspirado pelo talentosíssimo Ítalo Ferreira, pela fadinha Rayssa Leal e por tantos outros atletas (brasileiros ou não) decidi pesquisar a respeito desses jogos e de suas tradições
Mercado de Trabalho
As constantes inovações no mercado de trabalho fomentam o movimento profissional de requalificação, caracterizados atualmente pelas ações de upskilling e reskilling
Inscreva-se na newsletter

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e Política de Cookies. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.