Eleição presidencial

Salim Mattar não garante voto em Bolsonaro em 2022: “Podem surgir outros nomes”

Ex-membro do time econômico do presidente, o empresário afirma não se arrepender de ter participado do governo
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Ex-secretário de Desestatização do Ministério da Economia, o empresário Salim Mattar acredita que é cedo para falar sobre seu voto nas eleições de 2022, mas não garante que repetirá sua escolha do último pleito, quando votou em Jair Bolsonaro (sem partido) em dois turnos.

“Eu diria que é cedo, dois meses antes das eleições eu posso responder”, diz o fundador da Localiza, ressaltando que outras opções eleitorais podem aparecer. “Bolsonaro naquele momento [2018] era a melhor opção, porque outros partidos já estiveram no poder muito tempo e fizeram o que você viu, mensalão, petrolão, corrupção nas empreiteras”.

Integrante da equipe econômica de Bolsonaro de janeiro de 2019 até agosto de 2020, Mattar saiu por insatisfação com o ritmo de privatização das estatais. O então secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, deixou o cargo junto com Mattar, e as baixas foram classificadas à época pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, como uma “debandada”.

Apesar de não ter conseguido alcançar as metas de privatizações que havia planejado, Mattar afirma que não se arrepende de ter participado do Governo Federal e de ter acreditado nas promessas de estado mínimo de um candidato que fez carreira defendendo a participação estatal na economia. Mattar destaca que, apesar do passado de Bolsonaro, sua campanha prometeu reduzir o tamanho do Estado.

“Ter ido para o governo foi um dos fatos mais importantes da minha vida, não tenho arrependimento. Foi uma experiência única, impagável”, diz o empresário ao MyNews.

“Modelo chinês, em um certo momento, vai desabar”

Defensor da iniciativa privada, Mattar afirma que o Estado não deve ser “empresário” e garantir privilégios. Obras de infraestrutura como aeroportos e estradas não devem ser construídas pelo poder público, crê o empresário.

Na contramão da agenda de Mattar, a China foi um dos poucos países a registrar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Em plena pandemia de covid-19, o país asiático cresceu 2,3% em 2020. No mesmo período, o PIB brasileiro encolheu 4,1%.

Mattar avalia que apesar do resultado econômico positivo, a China não tem liberdade e a decisão estatal é a última, “como era na época de [Josef] Stálin e [Adolf] Hitler”.

“Eles [chineses] aderiram ao mercado, mas não às liberdades individuais. O modelo chinês, em um certo momento, vai desabar porque a sociedade não tolera não ter liberdade”, diz o empresário.

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