Juliana Dal Piva alerta para o impacto da desinformação na saúde pública e no debate político brasileiro Foto: Paula Villar / Jornal da USP

Juliana Dal Piva alerta para o impacto da desinformação na saúde pública e no debate político brasileiro

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Em entrevista ao Almoço do MyNews, a jornalista investigativa Juliana Dal Piva fez um diagnóstico crítico sobre a desinformação no Brasil

O avanço dos desertos de notícias nas redes sociais

De acordo com Juliana, o fechamento de jornais locais criou extensos “desertos de notícias” no país. Consequentemente, essa lacuna passou a ser preenchida por conteúdos sem checagem em aplicativos de mensagem. Por isso, a população consome materiais com dados descontextualizados, o que impede a compreensão da realidade e gera insegurança informativa.

Os reflexos diretos na saúde pública e na segurança

Além de afetar o debate político, a desinformação provoca impactos imediatos na vida do cidadão. Nesse sentido, Juliana citou o recuo nas coberturas vacinais como um exemplo grave. Doenças anteriormente erradicadas, como o sarampo, voltaram a registrar surtos devido ao espalhamento de teses antivacina.

Da mesma forma, no campo da segurança pública, a jornalista apontou limitações nas abordagens atuais:

  • Discursos simplistas: Retóricas populistas desviam a atenção da sociedade, pois ignoram a necessidade de planos reais para combater o crime organizado.

  • Desafios de comunicação: Correntes progressistas enfrentam dificuldade histórica para dialogar sobre o tema, visto que muitas vezes deixam de integrar as forças policiais e a realidade da ponta.

A falta de representatividade e o esvaziamento de propostas

Além das notícias falsas, o debate público sofre com a escassez de projetos de governo detalhados. Em vez de discutir soluções estruturais, a pauta política é frequentemente consumida por controvérsias infundadas.

Por fim, a jornalista apontou contradições no governo federal quanto às promessas de representatividade no Judiciário, citando as indicações para o Supremo Tribunal Federal (STF). Embora mulheres e pessoas não brancas formem a maioria da população brasileira, a manutenção de uma composição majoritariamente masculina e branca na corte afasta o tribunal da realidade demográfica nacional.

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