Desafio fiscal de 2027 entra no radar do mercado financeiro Foto: José Cruz/Agência Brasil

Desafio fiscal de 2027 entra no radar do mercado financeiro

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Em entrevista ao Café do MyNews, especialista aponta que desafio do próximo governo será explosão da dívida pública

Em entrevista ao Café do MyNews, Fabricio Voigt, economista-chefe da Aware Investments, alertou que o próximo presidente eleito no Brasil assumirá o país em um ambiente econômico mais adverso do que em gestões anteriores. Segundo o especialista, a combinação entre a trajetória explosiva da dívida pública, que se aproxima dos 85% do PIB, e a manutenção de taxas de juros elevadas impõe um desafio severo para a condução das contas nacionais a partir de 2027.

Voigt afirmou que as pesquisas eleitorais alteram a percepção do mercado financeiro; contudo, o foco dos investidores continua nas diretrizes concretas para a economia. O especialista disse, ainda, que a indicação de um nome de peso para a Fazenda ajuda a acalmar os ânimos. No entanto, isso não resolve o problema principal. Para o mercado, o fator determinante é a clareza das ideias do futuro governo.

Como o vazio fiscal da eleição ameaça a economia

Evasivas na campanha e a “conta” dos ajustes

A entrevista também repercutiu o desempenho dos postulantes à Presidência durante as recentes sabatinas. Os entrevistadores destacaram a dificuldade ou relutância de nomes de diferentes espectros políticos — entre eles Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e o empresário Augusto Cury — em apresentar propostas objetivas para o arcabouço fiscal e a dívida pública.

Para Fabricio Voigt, o tom evasivo adotado pelos candidatos durante a corrida eleitoral reflete a impopularidade de um plano de ajuste fiscal real. Medidas efetivas para conter o endividamento exigiriam revisões delicadas em repasses públicos, regras de reajuste do salário mínimo ou nas aposentadorias — temas evitados durante a busca por votos.

A importância da margem nas urnas

O economista ressaltou que promessas focadas apenas em cortar ministérios ou supersalários são insuficientes. Essas medidas geram economias pontuais de poucos bilhões de reais. Por outro lado, a estabilização das contas exige contenções de centenas de bilhões.

Diante desse cenário complexo, o tamanho do apoio nas urnas será crucial. O candidato vitorioso por margem expressiva terá mais força política; assim, terá legitimidade para aprovar as reformas impopulares exigidas pelo país.

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