Mercado exige rigor fiscal em eleição disputada Foto: AlphaTradeZone

Mercado exige rigor fiscal em eleição disputada

Tamanho do texto:

Oscilação nos ativos reflete disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto investidores desconfiam de propostas da ‘terceira via’

O acirramento da disputa presidencial tem movimentado o mercado financeiro nos últimos tempos. Nesse sentido, a busca por propostas fiscais concretas guiou a entrevista com Josias Bento, sócio da GT Capital, no Café do MyNews. Durante o programa, Bento analisou as oscilações nos mercados doméstico e internacional. Segundo ele, a volatilidade dos ativos reflete a expectativa de um cenário eleitoral apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Consequentemente, a reação do mercado registrou alta na Bolsa de Valores e fechamento da curva de juros. Esse movimento levantou debates sobre o impacto da política nas cotações. Contudo, o especialista apontou que a alta da bolsa responde a um conjunto mais amplo de fatores. Por isso, ele descarta euforia no mercado até a consolidação do pleito.

Além disso, o analista ressaltou que o Ibovespa não deve atingir 200 mil pontos em outubro apenas pela política. No entanto, o preço dos ativos pode registrar acelerações pontuais conforme o cenário se desenha.

O desafio do ajuste fiscal e a ‘Terceira Via’

Da mesma forma, a viabilidade de uma candidatura alternativa esteve presente na discussão: Bento acredita que as chances de uma “terceira via” são reduzidas nesta reta final. Ainda assim, um candidato pode surpreender se enfrentar o tema do plano fiscal para 2027.

Atualmente, tanto a base governista quanto a oposição evitam detalhar cortes de despesas. Todavia, o tema ganhou destaque no debate sobre o desempenho de Ronaldo Caiado em sabatina recente. Na ocasião, Caiado declarou a intenção de reduzir a dívida pública para 50% do PIB, o que gerou forte ceticismo no mercado.

O especialista avalia que a promessa não tem aderência com a realidade orçamentária, afinal, para atingir essa meta em quatro anos, o governo precisaria cortar gastos essenciais de forma drástica. A outra alternativa exigiria um crescimento econômico fora dos padrões históricos.

Inflação e balanços no radar de curto prazo

Da mesma forma, a agenda econômica dita o ritmo dos negócios no curto prazo. No cenário doméstico, por exemplo, os investidores acompanham a projeção de deflação do IPCA-15. Esse movimento ocorre devido ao bônus de Itaipu na energia elétrica. Por conseguinte, esse alívio temporário nos preços pode dar fôlego para novas altas do Ibovespa.

No ambiente internacional, os holofotes se voltam para o índice PCE nos Estados Unidos. O dado é fundamental, visto que atua como o indicador de inflação preferido do Federal Reserve. Igualmente, a divulgação do balanço da Nvidia atrai atenção global, uma vez que serve como termômetro para o setor de inteligência artificial.

Por outro lado, a indefinição política mantém o “Centrão” cauteloso antes de definições formais. Desse modo, diante de um quadro de incertezas, o mercado financeiro acompanhará os próximos ciclos de entrevistas e a publicação dos dados inflacionários para calibrar suas projeções.

Relacionados