A IA entrou na fisioterapia pela câmera do celular Imagem gerada por IA

A IA entrou na fisioterapia pela câmera do celular

Tamanho do texto:

Grande aliada do movimento e do diagnóstico, a inteligência artificial não substitui as mãos humanas, mas auxilia no processo de reabilitação

A Inteligência Artificial se instalou em escritórios de advogados, agências de publicidade e redações jornalísticas. Porém, para além do atendimento ao cliente, criação de textos e imagens, a IA tem sido amplamente usada no setor de saúde.

Na fisioterapia, profissão que depende 100% do contato humano e do movimento do paciente, a IA chegou como aliada em todo o processo — desde a prevenção das contusões até a ponta final da reabilitação.

Isso tem uma razão: a avaliação rigorosa é cara para virar rotina nas clínicas. Ela exige laboratório de marcha, com câmeras infravermelhas, marcadores colados no corpo, plataformas de força, um técnico e etc.

No Brasil, isso existe em universidades e em centros como AACD, Rede SARAH e Instituto Bahiano de Reabilitação, e atende sobretudo casos graves, como paralisia cerebral, sequela de AVC e amputação. Ou seja, para os casos mais comuns, aqueles que atingem grande parte da população, essas tecnologias não eram aplicadas.

A visão da IA aplica boa parte disso a partir de um vídeo comum. Modelos de estimativa de pose marcam dezenas de pontos, trinta vezes por segundo, sem nada grudado no corpo.

No que a IA ajuda

  • Avaliação por vídeo é a mais usada. O paciente agacha, caminha, levanta o braço. O sistema devolve ângulos e assimetrias. Assim, o profissional tem diversos ângulos e cenas para entender melhor o movimento na hora do diagnóstico.
  • Exercício em casa, o ganho mais subestimado. O problema silencioso da fisioterapia não é a sessão — é o que não acontece fora dela. A maior parte do tratamento é exercício sem supervisão, e a adesão é notoriamente baixa. Um sistema que conta repetição, avisa que a amplitude caiu e devolve o dado ao fisioterapeuta que ataca exatamente esse ponto cego.

O que a IA não faz

  • Não prevê das lesões. O produto mais vendido do setor é o “score de risco”, mas a definição de Roald Bahr, no British Journal of Sports Medicine, em 2016, continua valendo: “Talvez, a triagem para prever lesões nunca seja realmente eficiente”. Isso porque uma contusão depende de inúmeros outros fatores.
  • A régua pode conter erros. Câmera de celular não é laboratório. Ela serve para acompanhar a mesma pessoa por semanas, mas não para diagnóstico completo.

Relacionados