Alfredo Cotait: ‘Fim da escala 6×1 ameaça pequenas empresas’ Alfredo Cotait. Foto: CACB

Alfredo Cotait: ‘Fim da escala 6×1 ameaça pequenas empresas’

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Presidente da ACSP analisa empecilhos econômicos e alerta que mudanças nas leis trabalhistas sem critérios podem asfixiar pequenos negócios

O cenário econômico brasileiro e os desafios impostos ao setor produtivo foram o centro da entrevista com Alfredo Cotait, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), no programa Café do MyNews. Em uma análise contundente, o dirigente apontou os principais vilões da competitividade no país, com destaque para a taxa de juros, o descontrole fiscal e a proposta de fim da jornada de trabalho na escala 6×1.

A origem do problema: juros e descontrole fiscal

Questionado sobre o maior entrave para os pequenos e médios empresários, Cotait apontou o impacto direto do custo do crédito no setor produtivo. “O maior vilão são esses juros altos com uma permanência de muito tempo. Isso destrói qualquer economia, destrói qualquer ação de uma iniciativa de investimento”, afirmou.

Contudo, a verdadeira raiz da crise reside no desequilíbrio das contas públicas. Por isso, as taxas altas apenas refletem um problema maior. Segundo o presidente da ACSP, os gastos dos governos nas esferas federal, estadual e municipal superam continuamente a arrecadação. Esse descompasso impulsiona a relação dívida/PIB e impede a queda sustentável das taxas de juros. Para aumentar a transparência e permitir o acompanhamento por parte da sociedade, a entidade lançou a ferramenta Gasto Brasil, que monitora as despesas do setor público em tempo real.

PEC da escala 6×1 sob crítica

Outro ponto central do debate foi a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada 6×1. Cotait criticou o ambiente político em torno da votação e defendeu que o tema não seja tratado com pressa. “Essa é uma questão que nós estamos defendendo que a discussão passe para após as eleições. Não é uma discussão simples. Do jeito que tá sendo proposto está completamente equivocado, porque tem um fundo eleitoral e está sendo aprovado no momento inadequado”, advertiu.

Além disso, Cotait rebateu o argumento de que a simples redução da jornada elevaria o rendimento do trabalhador: “Eles defendem que se você diminuir a jornada vai aumentar a produtividade. É ledo engano. Para aumentar a produtividade de um país que já é baixa, você precisa fazer investimento em infraestrutura e logística. Diminuir a jornada não vai aumentar a produtividade, provavelmente vai até reduzir.”

Ao final da entrevista, o presidente da ACSP lamentou a perda de espaço da sociedade civil e dos pequenos empreendedores nas decisões políticas estratégicas, que frequentemente favorecem grupos com maior poder de lobby. Ele lembrou que as pequenas e médias empresas são responsáveis por mais de 65% dos empregos formais gerados no país.

O debate destacou a relevância estratégica das pequenas empresas, responsáveis por mais de 65% dos empregos formais do país, e a urgência de superar visões antagônicas entre capital e trabalho. Dessa forma, busca-se assegurar a sobrevivência do empreendedorismo e o desenvolvimento sustentável da economia nacional.

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