Zema está preparado para a Presidência? Foto: Agência Lupa Eleições 2026

Zema está preparado para a Presidência?

Tamanho do texto:

Ex-governador promete corte expressivo nos juros e anistia a golpistas, mas foge de explicações técnicas sobre viabilidade orçamentária e metas passadas

Cortes de juros sem plano orçamentário

O candidato do Partido Novo iniciou a sabatina na TV Globo prometendo cortar a taxa Selic para 6% ao ano. Contudo, ele evitou apresentar os números e as medidas fiscais concretas necessárias para atingir essa meta. Ele atribuiu o cumprimento dessa meta a uma suposta recuperação de credibilidade e ao combate à corrupção. Especialistas alertam que promessas genéricas de austeridade não garantem o equilíbrio das contas públicas sem cortes específicos no orçamento. Além disso, o candidato desviou das perguntas sobre o aumento real do salário mínimo, deixando o benefício condicionado ao crescimento econômico.

Contradição fiscal na gestão estadual

A retórica do ex-governador enfrenta resistência direta ao ser confrontada com o seu histórico administrativo em Minas Gerais. A dívida pública mineira praticamente dobrou durante a sua gestão à frente do executivo estadual. O candidato justificou o aumento do endividamento citando juros cobrados pela União e déficits herdados de administrações passadas. Por outro lado, ele destacou ter alcançado superávit financeiro ao encerramento do seu mandato no estado. No entanto, o seu governo descumpriu a promessa emblemática de privatizar a Companhia Energética de Minas Gerais.

Segurança salvadorenha e segurança jurídica em xeque

A pauta de segurança pública trouxe novas divergências ao debate eleitoral promovido pelo consórcio de imprensa. O postulante defendeu a adaptação das diretrizes autoritárias adotadas pelo presidente de El Salvador para o território brasileiro. Além disso, ele causou controvérsia ao classificar como puramente político o julgamento dos condenados pelos atos golpistas. Ele prometeu conceder anistia ampla aos envolvidos no ataque às sedes dos Três Poderes. Paralelamente, dados oficiais apontam queda significativa no investimento direto em inteligência policial sob seu comando executivo.

Recuo na saúde pública e metas sociais incertas

O posicionamento em relação à vacinação infantil obrigatória expôs falhas sérias na condução da saúde pública. O ex-governador manifestou oposição à exigência de imunização, posicionando-se contra a recomendação de autoridades científicas. Essa postura ganha contornos críticos em meio a surtos recorrentes de doenças evitáveis em estados vizinhos. O candidato defendeu unicamente campanhas educativas e de conscientização sobre imunização vacinal, rejeitando sanções coercitivas. Já na área educacional, prometeu multiplicar por dez as escolas integrais, sem explicar a origem das verbas para o investimento.

Compartilhar:

Relacionados