Foto: Carta Capital
Operação envolvendo divisão da empresa e aporte de capital privado surge como única alternativa viável para reestruturar a indústria missilística do país
A venda da Avibras tornou-se a única alternativa viável para salvar a empresa brasileira. Segundo o comandante Robson Farinazo, a operação envolveu a compra da divisão Avibras Aeroco. Além disso, o grupo comprador manteve o CNPJ separado da Avibras SA. Dessa forma, a estratégia busca atrair investimentos para novos projetos. O resgate privado virou prioridade no setor. Por outro lado, o Projeto de Lei 2957 segue parado na Câmara. Consequentemente, a proposta de nacionalização estatal não avançou e as dívidas da empresa com a União impedem o recebimento de recursos públicos.
Estratégias de investimento e capacitação tecnológica
| Demandas do Setor | Foco Tecnológico |
| Mísseis e Guia Terminal | Desenvolvimento de mísseis balísticos com guiagem terminal para defesa do litoral. |
| Sistemas de Artilharia | Aprimoramento do sistema Astros para equivalência ao Himars americano. |
| Sistemas Autônomos e Cruzeiro | Expansão do alcance de mísseis de cruzeiro e criação de programa de drones. |
A nova fase exige investimentos de grande porte para atualizar a capacidade bélica do país. Farinazo detalha que as prioridades incluem a evolução do sistema de foguetes Astros, a ampliação do alcance dos mísseis de cruzeiro e a criação de programas voltados a drones e mísseis balísticos estratégicos. Com 60 anos de atuação na fabricação de artefatos militares, a Avibras detém conhecimento técnico considerado central no cenário atual. O comandante aponta que a expertise da empresa em tecnologia missilística supera em relevância estratégica a aviação tradicional tripulada, visto que as dinâmicas globais de defesa priorizam cada vez mais os sistemas de satélites, a guerra eletrônica e as armas de precisão a longa distância.
A absorção da fabricante por um grupo econômico brasileiro evitou a transferência de ativos tecnológicos para corporações estrangeiras. O especialista relembrou que o cenário recente da indústria nacional registrou a alienação da Akaer, sediada em São José dos Campos, para o grupo EDGE dos Emirados Árabes Unidos. Em movimento similar, ações remanescentes da Helibras foram vendidas ao grupo europeu Airbus pelo governo estadual de Minas Gerais. O aporte privado nacional na Avibras viabiliza a manutenção do controle do capital no Brasil, garantindo a permanência da propriedade intelectual e do parque industrial em território nacional. A medida busca manter a capacidade de soberania diante do avanço da demanda por reequipamento bélico.
O contexto geopolítico e os conflitos recentes revelaram uma mudança estrutural na guerra moderna, com a perda de protagonismo da aviação tripulada e dos meios navais convencionais frente a enxames de drones e sistemas de mísseis. Táticas aplicadas em cenários como a Ucrânia e o Oriente Médio demonstraram a vulnerabilidade de bases e navios aeródromos a ataques integrados de inteligência artificial, guerra eletrônica e satélites de navegação alternativos. Para manter a capacidade de dissuasão e a integridade do Atlântico Sul, Farinazo defende que o Brasil precisa redirecionar seus recursos de defesa. O foco do setor deve priorizar a autonomia em inteligência, sistemas de vigilância espacial e capacidade industrial própria para a produção de insumos estratégicos.