Foto: Kindel Media
papo de imóvel
Com juros atrelados ao FGTS, alta rotatividade e produtos de alto padrão, o Minha Casa, Minha Vida atrai gigantes do setor e corretores
O mercado imobiliário brasileiro passa por uma reconfiguração estratégica silenciosa, porém profunda. Nesse sentido, construtoras consolidadas nos segmentos de médio e alto padrão estão voltando suas baterias para a habitação popular. O movimento é impulsionado por condições de financiamento imunes à volatilidade da taxa Selic, além da demanda represada da classe trabalhadora e da evolução na qualidade dos projetos.
Em entrevista ao Café do MyNews, Sandro Moreira, executivo com mais de 15 anos de bagagem no setor imobiliário, detalhou a transição do mercado de luxo para o econômico. Segundo ele, o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) tornou-se o motor mais pulsante da incorporação imobiliária nacional no momento.
Enquanto o mercado de alto padrão sofre oscilações vinculadas aos ciclos da Selic, o segmento econômico opera sob outra lógica. Afinal, a grande fortaleza do programa reside no uso dos recursos do FGTS, que garante financiamento barato e estável.
“Não é necessário utilizar a taxa Selic como referência para o econômico. Trata-se de um dinheiro barato, vindo do FGTS. Por consequência, os bancos conseguem emprestar a juros a partir de 4,5% ao ano. Assim, temos uma oportunidade extraordinária para a aquisição da casa própria”, disse o especialista.
Dessa forma, com faixas de renda familiar a partir de R$ 3.800, o programa entrega unidades de dois dormitórios com parcelas acessíveis. Como resultado, a estabilidade do modelo sustenta projeções otimistas de pelo menos dez anos de expansão contínua.
Por essa razão, o comprador atual encontra condomínios com infraestrutura de lazer completa, pátios arborizados e academias. Ou seja, a competição acirrada obrigou o mercado a entregar projetos atraentes mantendo o teto de preço, o que beneficia diretamente o consumidor.
Em primeiro lugar, o setor destaca-se por sua blindagem financeira e pelo avanço na qualidade. Como as taxas partem de 4,5% ao ano via FGTS, o programa permanece imune às oscilações da Selic. Além disso, a forte concorrência garantiu condomínios populares com lazer completo e acabamento superior.
Do mesmo modo, essa guinada do setor tem transformado a rotina dos corretores. Afinal, profissionais acostumados a passar meses negociando uma única unidade de luxo encontram no econômico alta liquidez. Por exemplo, corretores de alta performance alcançam de dez a quinze vendas mensais.
Entretanto, a migração exige uma virada chave na mentalidade. De acordo com Moreira, o maior obstáculo para quem vem do mercado de luxo são os preconceitos e os vícios de trabalho acumulados. “O profissional precisa vir sem preconceito. Minha dica é: ‘queime o seu barco’. Esqueça o médio e alto padrão, pois aquilo é passado. Além disso, o cliente do econômico está em qualquer lugar. Mas você só vai dar certo se mergulhar de cabeça”, afirmou.
Por fim, a facilidade de encontrar compradores no cotidiano é uma grande vantagem. Contudo, isso exige do corretor um papel educativo: demonstrar ao trabalhador que a casa própria está ao seu alcance por meio do acesso correto ao crédito.