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Os Cristãos da Idade Mídia

Este grupo não quer um Estado separado da Igreja, tão pouco querem um Estado religioso, o que eles querem é um Estado que os atenda em seu projeto de poder
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É evidente a contribuição dos movimentos cristãos dos mais variados segmentos no cotidiano das pessoas e da sociedade, não há que se questionar este fato, não obstante aos movimentos periféricos do cristianismo saudável estão as lideranças midiáticas que utilizam-se da boa fé dos fiéis (fiéis no sentido mais puro da palavra, pessoas que sentem-se compelidas por algo sagrado a desenvolver sua fé em meio a outras pessoas, normalmente mais carentes) para colocar em marcha seus planos estritamente políticos e seus projetos de poder.

Um dos pilares dos movimentos de reformas protestantes que eclodiram na Europa tendo seu ápice no Séc. XVI era a total separação entre a Igreja e o Estado, não se permitia no pensamento protestante, iluminado pelos movimentos renascentistas e humanistas, que o Estado pudesse ser tutelador da fé cristã, o conceito de livre exame das escrituras e de sacerdócio universal do cristão sustentam a base de uma igreja mais voltada à fraternidade que ao poder. Óbvio que na prática tal efeito tornou-se esporádico e até combatido pelos protestantes poderosos, mas isso é uma outra discussão.

Fato é que, ainda hoje, a pluralidade do pensamento protestante é fruto deste processo e de alguma forma ainda permite um pensamento religioso mais humanista e menos institucional.

O que faz então com que o movimento evangélico brasileiro se torne tão avesso aos primórdios do pensamento reformado? Imagino responder aqui a provocação do título deste artigo, a mídia “evangélica” como catalisadora de asseclas não para um movimento religioso que se converte em midiático, mas como um movimento midiático que se traveste de religioso para a manutenção do poder e do status financeiro.

Este grupo não quer um Estado separado da Igreja, tão pouco querem um Estado religioso, o que eles querem é um Estado que os atenda em seu projeto de poder e usam figuras caricatas ou carismáticas para chegarem a este propósito.

Bolsonaro é produto deste arranjo, ele não representa os valores morais do cristianismo, tão pouco os valores humanistas do preâmbulo da Reforma Protestante, nem mesmo a piedade dos movimentos religiosos periféricos, ele é apenas uma caricatura construída sob a égide de um pretenso poder divino. A má notícia é que esta caricatura tem a caneta bic mais poderosa do país. A boa notícia é que a humanidade sempre venceu e sempre vencerá seus maiores algozes.

Tenho poucas esperanças de que esta virada surja entre evangélicos, tão pouco dentro das igrejas, o efeito Malafaia, Macedo e Cia LTDA são perniciosos e se estendem por algumas gerações, mas eu, como Jesus, acredito no ser humano e só resgatando esta humanidade que está dentro de nós, ainda que inebriada pelo caos, é que vamos conseguir sair deste momento terrível, como diria Gonzaguinha “Eu acredito é na rapaziada!”.


Quem é André Daniel da Costa Loureiro?

André Daniel da Costa Loureiro é Bacharel em Teologia, licenciado em História e pós-graduado em Gestão Educacional e Metodologia do Ensino da História. É pastor Batista e estudante de Direito, professor concursado de Guapimirim-RJ e diretor de escola pública municipal em Magé-RJ.

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