PGR acata pedido de proteção de servidores da Anvisa Fachada do edifício sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ameaças

PGR acata pedido de proteção de servidores da Anvisa

Ameaças nas redes sociais a servidores da Anvisa se intensificaram após agência liberar vacinação de crianças a partir de cinco anos

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  • A PGR aceitou, no domingo, o pedido de proteção de servidores da Anvisa após aumento de ameaças nas últimas 24 horas.
  • O ofício, assinado por Anderson Torres, foi encaminhado ao Gabinete de Segurança Institucional (Augusto Heleno), ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e ao diretor da Polícia Federal, Paulo Maiurino.
  • A Anvisa já havia solicitado proteção em novembro, quando autorizou a vacinação de adolescentes a partir de 11 anos, e a PGR tratou denúncias anteriores com o MPF e a PF.
  • A agência ressaltou preocupação com a segurança dos servidores distribuídos por todo o Brasil e com a integridade de suas famílias.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou nesta segunda-feira (20) ter adotado as providências necessárias para assegurar a proteção dos dirigentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O presidente do órgão, Antônio Barra Torres, havia encaminhado um ofício no domingo (19) pedindo proteção policial aos servidores que participaram da liberação da vacina da Pfizer para crianças a partir de cinco anos após aumentarem as ameaças nas redes sociais.

No ofício encaminhado à PGR no domingo, Torres afirma que as ameaças aumentaram muito nas 24h anteriores, o que traz a necessidade de novas investigações para identificar os autores e apurar responsabilidades. Em novembro, pedido semelhante já havia sido feito quando a agência havia autorizado a vacinação em adolescentes a partir de 11 anos.

Na nota divulgada pela PGR, eles afirmam terem dado encaminhamento também às denúncias anteriores. “[Denúncias anteriores] foram diligentemente tratadas por membros do Ministério Público Federal no Distrito Federal e no Paraná, que contam, no tema, com o zeloso trabalho da Polícia Federal”, sustenta a nota.

De acordo com a agência, o ofício também seria encaminhado aos ministros do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, além do diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino.

Anvisa
Pedido de proteção já tinha feito pelos servidores da Anvisa em novembro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Servidores da Anvisa temem pela família

O tom do documento revela alta tensão na agência. “Mesmo diante de eventual e futuro acolhimento dos pleitos, a agência manifesta grande preocupação em relação à segurança do seu corpo funcional, tendo em vista o grande número de servidores da Anvisa espalhados por todo o Brasil. não é possível afastar neste momento que tais servidores sejam alvo de ações covardes e criminosas.”

Em outro trecho do documento, a agência diz que o crescimento das ameaças nas redes sociais aumentaram a preocupação e o receio de diretores e servidores quanto à sua integridade física e de sua família e geraram “evidente apreensão” de que atos de violência possam ocorrer a qualquer momento.

O pedido de socorro veio após o presidente da República, Jair Bolsonaro, ter afirmado na live da última quinta-feira que iria expor os nomes de todos os envolvidos na liberação da vacina Pfizer para crianças a partir de cinco anos. Segundo ele, os pais têm direito de saber quem são para aí tomar a decisão de vacinar os filhos ou não.

Ontem, no litoral paulista, Bolsonaro voltou a falar sobre o assunto. Disse que vai pedir para o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, exigir pedido médico e a assinatura de um termo de responsabilidade pelos pais para autorizar a vacinação em crianças. Disse que isso não será decidido por prefeitos e governadores.

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