Marina Silva critica cultura da “lacração” e diz que debate político perdeu espaço
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Ministra afirma que a política vive um momento de desqualificação do diálogo, critica a busca por visibilidade a qualquer custo e relata episódios de violência política contra mulheres
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Marina Silva afirmou que a cultura da “lacração” tem diminuído o espaço para o debate político no Congresso.
Ela comparou o cenário atual ao início de sua trajetória, lembrando debates intensos e respeitosos, e ressaltou que alguns parlamentares ainda defendem o diálogo.
Reconheceu avanços em manejo integrado do fogo e créditos de carbono, mas criticou medidas que, segundo ela, enfraquecem a proteção ambiental e os direitos indígenas.
Silva alertou sobre a continuidade da violência de gênero no ambiente institucional.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que o cenário político atual sofre com a substituição do debate pela “lacração”. Em entrevista ao MyNews, ela avaliou que as redes sociais e as novas tecnologias transformaram a forma de fazer política e de construir lideranças. No entanto, alertou que muitos atores políticos priorizam o impacto imediato em vez da discussão de propostas.
Além disso, Marina comparou o ambiente político atual ao período em que iniciou sua trajetória no Congresso. Segundo ela, lideranças de diferentes correntes ideológicas mantinham debates intensos, mas respeitosos. “Ninguém discute mais. Não é discussão, é lacração”, disse. Ainda assim, a ministra destacou que alguns parlamentares continuam defendendo o diálogo e a troca de ideias.
Por outro lado, a ministra fez um balanço misto da atuação do Congresso. Ela reconheceu avanços em temas como o manejo integrado do fogo e os créditos de carbono. Entretanto, criticou a aprovação de medidas que, em sua avaliação, enfraquecem a proteção ambiental e os direitos dos povos indígenas. Para Marina, essas decisões representam uma regressão em áreas importantes para o país.
Além das divergências políticas, Marina chamou atenção para a violência de gênero no ambiente institucional. Ela citou episódios de intimidação contra parlamentares mulheres e relatou ataques que atingiram sua própria família. Por isso, defendeu mais respeito no debate público e afirmou que a democracia perde força quando adversários substituem argumentos por agressões e tentativas de desqualificação.