Ministro André Mendonça (Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)
Entidade de ministro do STF recebeu R$ 5,2 milhões de empresa ligada a parceiro comercial de Daniel Vorcaro
O Instituto Iter, ligado ao ministro do STF André Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da empresa Cedro Participações entre 2024 e início de 2025. A quantia foi repassada por meio de um contrato com a holding do empresário Lucas Kallas, conhecido por manter histórico de negócios com Daniel Vorcaro. O site UOL divulgou as informações nesta quinta-feira (17).
O instituto interrompeu o contrato e iniciou a devolução dos valores em janeiro de 2025, poucas semanas antes de Mendonça ser sorteado o relator das apurações contra o Banco Master. A entidade alegou que já tinha alcançado a sustentabilidade financeira. Além disso, em março do mesmo ano, o magistrado recebeu Vorcaro na sede do Iter e um representante legal do banqueiro em seu gabinete no STF. A pauta das reuniões envolveu precatórios de interesse do banco; contudo, o ministro afirma que votou contra as pretensões do empresário.
O Instituto Iter e os envolvidos negam qualquer irregularidade ou favorecimento indevido nas negociações. Além disso, a entidade e a defesa ressaltam que o contrato foi firmado exclusivamente pelo presidente do instituto, Victor Godoy Veiga, sem a interferência direta de Mendonça ou de Kallas. Argumentam, ainda, que o dinheiro foi integralmente investido nas atividades operacionais da instituição, sem repasse de dividendos ou lucros ao ministro, que se desligou formalmente do conselho do Iter no início de setembro.
Por sua vez, a Cedro Participações e o empresário Lucas Kallas sustentam que a empresa não possui vínculo societário direto com Vorcaro. Além disso, alegam que a firma não é alvo da Operação Compliance Zero. O caso, no entanto, amplia a pressão política na capital federal. O episódio reforça a cobrança por limites claros entre integrantes do Judiciário e agentes econômicos investigados.