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Diplomacia brasileira rejeitou termos norte-americanos por considerar exigências incompatíveis com a soberania nacional
Durante as tratativas comerciais para a remoção ou redução de sobretaxas impostas às exportações brasileiras, o governo dos Estados Unidos apresentou uma lista de exigências que incluiu a garantia de participação eleitoral para pessoas classificadas por Washington como “dissidentes políticos”. O pedido constava em uma minuta de negociação com 21 tópicos, que condicionava concessões tarifárias a ingerências na política interna e em regras eleitorais do Brasil. A proposta vinculava diretamente o alívio das barreiras econômicas à alteração de posicionamentos judiciais e políticos do Estado brasileiro.
Diante disso, o governo brasileiro rejeitou os termos de imediato e considerou a pauta inaceitável. Nesse sentido, diplomatas afirmaram que o conceito de “dissidentes” não se aplica ao regime democrático do país. Além disso, ressaltaram que o Executivo não tem poder legal sobre o Judiciário nem sobre as regras de elegibilidade. Portanto, em razão da resposta firme do Brasil, o tema acabou descartado do debate formal.
Por outro lado, a lista norte-americana também exigia contrapartidas pesadas em vários setores estratégicos da economia. Entre os pedidos, as petições cobravam facilidades na compra de aviões e novas regras digitais para as Big Techs. Do mesmo modo, o documento previa acesso facilitado a minerais críticos e isenção tributária para o etanol. Consequentemente, ficou clara a intenção dos EUA de tentar alterar marcos regulatórios brasileiros em troca de apoio comercial.
Apesar disso, mesmo após o impasse inicial, os dois países continuaram a conversar ativamente em fóruns bilaterais. No entanto, o episódio aumentou significativamente o tom da disputa sobre a política comercial externa. Por fim, a postura brasileira reafirmou a decisão de separar disputas econômicas de qualquer tentativa de pressão no processo eleitoral ou na justiça.