“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, diz Lula em discurso na ONU Foto: Michael M. Santiago/Getty Images

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, diz Lula em discurso na ONU

Presidente também cobra regulação das big techs, critica tarifas dos EUA e reforça combate ao crime organizado sem interferência externa

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  • Lula, em discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU em Nova York, na terça‑feira (22), reafirmou a soberania do Brasil e rejeitou subordinação a potências externas.
  • O presidente condenou a ingerência estrangeira em processos eleitorais, alertando que a democracia brasileira está “novamente em xeque”.
  • Defendeu maior integração entre os países da América Latina e Caribe, independentemente de diferenças ideológicas, como estratégia de desenvolvimento.
  • Lula afirmou que o Brasil está preparado para combater o crime organizado, mas descartou a presença de forças militares estrangeiras na defesa das fronteiras.

Em discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania brasileira e afirmou que o país não deve se subordinar a nenhuma potência. Ao abordar a América Latina e o Caribe, declarou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento.”

Lula também condenou a interferência externa em processos eleitorais e afirmou que “a democracia está novamente em xeque”. Segundo o presidente, “voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais” e a divisão do mundo em zonas de influência representa um movimento que classificou como “anacrônico”. Ele ainda defendeu maior integração entre os países da região, independentemente de diferenças ideológicas.

Na área de segurança, Lula afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar o crime organizado, mas rejeitou a presença de forças militares estrangeiras como resposta ao problema. “Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo”, declarou. Em seguida, afirmou: “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado.”

O presidente também disse que a cooperação internacional deve incluir o combate à lavagem de dinheiro ligada às organizações criminosas. “Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior”, afirmou, ao citar uma proposta que, segundo ele, foi entregue pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos. No discurso, Lula também defendeu a regulação das big techs e da inteligência artificial, criticou as tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros e condenou os efeitos das apostas esportivas sobre o endividamento das famílias.

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