Além do capital, tecnologia precisa de ambiente de inovação Inteligência Artificial | Foto: Reprodução/Pixabay Notícias

Além do capital, tecnologia precisa de ambiente de inovação

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  • Relatório da OMPI (Índice Global de Inovação 2026) aponta que o Brasil tem capital de risco avançado em 16º lugar, mas carece de ambiente de inovação.
  • Startups de base tecnológica enfrentam falta de laboratórios, equipamentos e especialistas para validar soluções e levar produtos ao mercado.
  • Na América Latina, 72% das startups científicas permanecem na fase seed, enquanto apenas 19% avançam para a Série A.
  • O contraste evidencia que, apesar do investimento disponível, a ausência de infraestrutura e conhecimento de mercado impede a escalabilidade das empresas.

Quem acompanha de perto a jornada de emergente empresa de base tecnológica, sabe que o gargalo raramente está no começo. A ideia existe, o protótipo existe e, às vezes, até o cliente interessado existe. Contudo, falta o meio do caminho, o laboratório para testar em condições reais, o equipamento que dá confiabilidade ao resultado, o especialista capaz de validar tecnicamente a solução e o conhecimento de mercado para transformar uma boa tecnologia em um produto que a indústria compra.

Essa dificuldade aparece nos indicadores internacionais, como o Índice Global de Inovação 2026. Divulgado em setembro pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), o relatório demonstra um contraste entre o capital disponível e o ambiente de inovação no Brasil. Estamos em 16º lugar em capital de risco de estágio avançado. Ou seja, há capital para empresas que já cresceram. O gargalo parece estar na passagem da pesquisa para a prova de conceito e do piloto para a operação comercial. Na América Latina, 72% das startups de base científica ficam paradas na fase seed, a primeira rodada de investimento, e apenas 19% chegam à Série A, quando a empresa começa a ganhar escala.

Considerando esse cenário de desafios é que o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) em parceria com a Firjan SENAI está executando com apoio da rede SENAI o Programa Lab Procel II. Por meio do investimento da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), a iniciativa enxerga a aceleração das 13 startups selecionadas como um momento de construir a ponte entre quem desenvolve e quem precisa da tecnologia. Para além da mentoria, a startup acessa laboratórios para validar sua tecnologia, conta com especialistas para ajustá-la às condições reais da indústria e é conectada a empresas dispostas a testar a solução nos próprios processos.

A indústria, por outro lado, tem acesso a inovações tecnicamente validadas, com menor risco e menor custo de experimentação. No final, o maior ganho é do setor de energia, já que todas as startups selecionadas no Lab Procel II desenvolvem soluções relacionadas à eficiência energética. O tema é um desafio para o Brasil e principalmente para o setor industrial. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o setor respondeu por 31,6% do consumo de eletricidade do país em 2025, e 67% das indústrias afirmam que a alta das tarifas atingiu seus custos de produção, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Contudo, desenvolver soluções de eficiência energética em um mercado altamente tecnológico e de rápida transformação, exige reunir conhecimentos de áreas muito diferentes. O que começa com a automação para controlar motores, passa pela ciência de materiais para reduzir perdas térmicas, química para reaproveitar resíduos até análise de dados para monitorar o consumo.

A capacidade de desenvolver essas soluções com olhar multidisciplinar é ampliada pela Rede SENAI. Além da formação profissional, o SENAI reúne Institutos de Inovação

e de Tecnologia em diferentes estados, com laboratórios, plantas-piloto, serviços de metrologia, serviços tecnológicos, ensaios e pesquisa aplicada. Na Rede SENAI, cada uma dessas competências pode estar em um instituto especializado, em um estado diferente, trabalhando sobre o mesmo desafio.

É aqui que investir em inovação ganha sentido prático. Pesquisa aplicada só gera competitividade quando encontra um lugar onde possa ser desenvolvida, testada e levada à fábrica. E poucas agendas têm retorno tão direto quanto a eficiência energética, que gera um ganho triplo. Cada quilowatt-hora economizado reduz imediatamente os custos, alivia a sobrecarga da rede elétrica e evita o acionamento de termelétricas poluentes, diminuindo as emissões de carbono. Impulsionar a eficiência energética na indústria é uma das formas mais concretas de transformar investimento em inovação em desenvolvimento para o país.

Para isso, é preciso convidar a indústria a construir, junto com startups, centros de tecnologia, universidades e poder público, um ecossistema de inovação. Laboratórios, especialistas, políticas públicas e empresas dispostas a inovar estão espalhados pelo país, e precisamos trabalhar para que esses atores se encontrem, criando o ambiente para a tecnologia brasileira se desenvolver.

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