Foto: Echoenergia
ALMOÇO DO MYNEWS
A expansão desenfreada dos data centers no Brasil se apoia em jornadas exaustivas e na precarização de trabalhadores terceirizados
A promessa de milhares de empregos no setor de tecnologia esconde um rastro de abusos trabalhistas na infraestrutura do país. A expansão acelerada de data centers no Brasil expõe trabalhadores terceirizados a jornadas exaustivas e falta de proteção. Empreendimentos bilionários impulsionados pela inteligência artificial vendem desenvolvimento, mas entregam precarização extrema no canteiro de obras. Empresas como Escala Data Centers e Equinix enfrentam denúncias por submeter operários a rotinas desgastantes e riscos iminentes.
Relatos revelam jornadas que chegam a 70 horas semanais no processo de montagem dessas estruturas em Barueri. A pressão por prazos apertados do cliente final faz com que empreiteiras negligenciem normas básicas de segurança. Funcionários atuam em grandes alturas no forro dos galpões sem pontos de ancoragem confiáveis para as linhas de vida. Além disso, equipamentos perigosos de corte são manuseados sem o treinamento prático adequado.
O Ministério Público do Trabalho instaurou três expedientes para apurar irregularidades graves e assédio moral nessas instalações. Sindicatos regionais corroboram que o avanço dessas infraestruturas multiplicou os relatos de adoecimento físico e depressão entre os operários. A atividade não possui sequer um código econômico ou regulamentação específica para enquadrar a rotina desses novos trabalhadores. Esse limbo jurídico deixa a massa de terceirizados vulnerável e invisível perante os órgãos de fiscalização do Estado.
O abismo entre a tecnologia de ponta e a exploração humana revela o verdadeiro custo da era digital. Enquanto o usuário interage com ferramentas avançadas, a infraestrutura básica se sustenta sobre o esgotamento dos trabalhadores. As Big Techs contratantes exigem entregas rápidas sem se responsabilizar pela cadeia de fornecimento e montagem dos galpões. Urge uma regulamentação efetiva para evitar que a inovação tecnológica continue sendo construída sobre a degradação do trabalho.