Crise no STF aumenta pressão sobre Lula e expõe falta de reação do governo Foto: Ton Molina/Getty Images

Crise no STF aumenta pressão sobre Lula e expõe falta de reação do governo

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Aliados e ex-integrantes do governo criticam postura considerada defensiva diante da crise envolvendo o Supremo e a Polícia Federal, enquanto pesquisas apontam empate entre Lula e Flávio Bolsonaro

Em análise de Rodolfo Lago, a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal deixou de ser apenas uma disputa institucional e passou a produzir efeitos diretos sobre a eleição presidencial. O analista destaca que pesquisas recentes mostram Lula em situação de empate com Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, cenário que acende um sinal de alerta no Palácio do Planalto. A crise do STF, segundo ele, contribui para deslocar o debate eleitoral para um terreno no qual o governo tem dificuldade de reagir.

Para Lago, o principal problema está na postura defensiva do governo. Ele cita as críticas de Ricardo Cappelli e Ricardo Berzoini, dois nomes ligados ao campo governista, que apontaram falta de “pulso” na reação do Planalto. Cappelli criticou especialmente o silêncio diante do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, enquanto Berzoini cobrou uma campanha mais agressiva e capaz de estabelecer uma comparação entre os governos Lula e Jair Bolsonaro. Na avaliação de Lago, são sinais de que a própria base política percebe dificuldades na estratégia eleitoral.

Outro ponto destacado pelo analista é a transformação da eleição em uma disputa indireta dentro do STF. A crise entre ministros como Alexandre de Moraes e André Mendonça passou a ser interpretada politicamente como uma disputa entre campos: Moraes associado a Lula e Mendonça identificado com Flávio Bolsonaro. Lago observa que essa lógica é especialmente prejudicial ao presidente porque Lula não aparece diretamente ligado às acusações envolvendo o caso Banco Master. Ainda assim, a polarização em torno do Supremo acaba colocando o governo dentro de uma crise que, inicialmente, não o atingia diretamente.

A conclusão de Rodolfo Lago é que o governo precisa encontrar uma maneira de sair das cordas. O problema não é apenas a crise do STF, mas a incapacidade de controlar a narrativa eleitoral em um momento de desgaste provocado também pela economia, pelos juros, pelo endividamento e pelo custo de vida. Embora ainda seja cedo para dimensionar quanto o episódio afetará definitivamente a eleição, a mudança nas pesquisas e o avanço de Flávio em regiões importantes mostram que o cenário se tornou mais competitivo. Para Lago, a questão central agora é saber se Lula conseguirá abandonar a posição defensiva e recuperar o protagonismo da campanha.

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