Daniel Vorcaro. Foto: Folha
Apesar de contatos nos altos escalões da República, articulações de Vorcaro falham em parar investigações e geram tensão no STF
Em meio a investigações, surgiram novos detalhes sobre a tentativa de Daniel Vorcaro de criar uma rede de proteção. No programa Café do MyNews desta quarta-feira (2), o colunista Rudolfo Lago comentou o encontro de 14 de março de 2025 entre o empresário e o ministro do STF, André Mendonça. No episódio, articulado pelo advogado Ciro Soares e batizado de “caso do paletó”, o ministro teria recebido um terno encomendado por Vorcaro.
As articulações visavam barrar a intervenção do Banco Central no Banco Master e frear os avanços das apurações. Para sustentar a estrutura de apoio, a operação envolvia cifras expressivas, incluindo pagamentos mensais de R$ 3 milhões ao escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, além do leasing de um jatinho e um helicóptero.
Apesar da aproximação com diferentes instâncias do poder público, a estratégia mostrou-se ineficaz. Dessa forma, o empresário não evitou a intervenção na instituição financeira, não parou as investigações da PF e foi preso. Os desdobramentos evidenciaram o fracasso das investidas para contornar os processos legais.
A situação gerou reflexões sobre a gravidade dos fatos expostos e a fragilidade das tentativas de interferência política e jurídica. O cenário expõe cobranças por explicações sobre a conduta e os envolvimentos de nomes da Corte, a exemplo de revelações associadas ao ministro Alexandre de Moraes e às movimentações anteriores envolvendo Dias Toffoli, que deixou a relatoria do caso Master após um acerto interno.
Por fim, Lago sinalizou que o plenário do STF deve enfrentar momentos de alta tensão. Em suma, os ministros debaterão os impactos éticos e jurídicos das denúncias e avaliarão eventuais pedidos de nulidade referentes às decisões de André Mendonça.