Foto: Forbes Brasil
Desaceleração da atividade econômica e acirramento na corrida eleitoral impulsionam os ativos e abrem espaço para novos cortes de juros
Em entrevista ao Café do MyNews, Bruno Perri, sócio-fundador da Fórum Investimentos, analisou os principais fatores que têm movimentado o mercado financeiro brasileiro. Segundo o especialista, o resultado recente do PIB, embora dentro do esperado no número cheio, trouxe uma reação positiva nos ativos locais devido à sua composição. Setores cruciais, como serviços, comércio e o consumo das famílias, apresentaram perda de tração e retração, refletindo o impacto prolongado da política monetária restritiva no país.
Esse desaquecimento da atividade econômica alterou as projeções dos agentes financeiros para os juros. Além disso, dados de emprego mais fracos reforçaram esse cenário. Por causa disso, aumentaram as apostas de novos cortes na taxa Selic pelo Banco Central. Contudo, essa redução de juros alivia apenas em parte o endividamento de famílias e empresas.
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Durante a conversa, Perri comentou que também as pesquisas eleitorais se tornaram o motor dos mercados. As sondagens indicam um cenário acirrado no segundo turno das eleições, consequentemente, houve forte impacto nas curvas de juros, na bolsa e no câmbio. Essa reação reflete uma preocupação técnica com a trajetória da política fiscal e com a dívida pública.
Em virtude dessa volatilidade, a renda fixa ganha relevância nos portfólios de investimentos. O especialista lembrou que essa classe de ativos no Brasil possui dinâmica própria, portanto, ela pode oferecer retornos elevados aos investidores. Esses ganhos podem até superar a bolsa se a inflação e os juros caírem.
Por fim, o sócio-fundador da Fórum Investimentos destacou a antecipação do clima eleitoral no mercado. Por esse motivo, as pesquisas ganharam um peso desproporcional na rotina dos investidores. Em suma, as novidades políticas e fiscais tendem a se sobrepor aos indicadores tradicionais de atividade econômica no curto prazo.