São Paulo e o conceito da “cidade de 15 minutos” Foto: Archademy papo de imóvel

São Paulo e o conceito da “cidade de 15 minutos”

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A proposta de ter tudo perto de casa enfrenta o desafio da desigualdade urbana paulistana

Durante o Papo de Imóvel desta terça-feira, Mário Fernandes falou sobre o conceito da Cidade de 15 minutos, elaborado pelo urbanista franco-colombiano Carlos Moreno. Trata-se de um modelo de planejamento urbano que visa aproximar as pessoas das necessidades diárias essenciais. Ao invés de bairros essencialmente residenciais ou comerciais, a ideia principal é ter moradia, comércio, saúde, lazer e educação no mesmo território.

A iniciativa se baseia em ecologia, proximidade, solidariedade e participação cidadã. O objetivo principal é devolver tempo às pessoas, além de reduzir o trânsito e a poluição. Cidades como Paris já expandiram suas ciclovias e Barcelona criou áreas com restrição de veículos. Por fim, Melbourne adota um projeto bastante parecido.

Ilhas de proximidade e a desigualdade paulistana

Em São Paulo, a realidade ainda é muito desigual. A conclusão é de um estudo do portal Caos Planejado, que afirma que a capital paulista possui apenas algumas “ilhas” onde o modelo funciona. A saúde é o ponto mais forte: cerca de 81% dos moradores chegam a uma UBS em até 15 minutos a pé.

Por outro lado, o acesso à cultura e ao lazer é baixo. Apenas 15% da população chega a um parque caminhando. Contudo, de bicicleta, esse índice sobe para 87%. Além disso, só 27% têm bibliotecas por perto. O acesso a cinemas ou teatros atinge apenas 14% dos paulistanos.

A distribuição de empregos e de transporte também é um problema. Os postos de trabalho continuam concentrados no centro. Para piorar, apenas 23% da população mora perto do metrô. A cidade de 15 minutos não quer prender ninguém no bairro. O foco é fazer do deslocamento uma opção, não uma obrigação.

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