Ministro Alexandre de Moraes no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) | Foto: Fellipe Sampaio /STF
Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro mostram pedidos de encontros e questionamentos sobre possível prisão; diálogos integram investigação que levou André Mendonça a pedir manifestação da PGR
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), se deveria deixar o país dois dias antes de sua prisão pela Polícia Federal. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu o ex-banqueiro em 15 de novembro de 2025. Na mesma época, ele também tentava marcar um encontro com o ministro.
A PF encontrou as mensagens no celular de Vorcaro durante a investigação sobre o Banco Master. Segundo os documentos, ele enviou a Moraes 12 prints sobre encontros marcados nos dias anteriores à prisão. No dia 14, Vorcaro confirmou uma reunião para o dia seguinte. Já na noite do dia 15, pediu outro encontro, que poderia ser “bem rápido”. No domingo, dia 16, afirmou que estava em voo e que iria direto ao encontro após pousar.
Além disso, Vorcaro questionou Moraes sobre o avanço das investigações contra ele e o Master. Em outras mensagens, pediu a atuação de “Andrei e Paulo”. A PF interpreta as referências como menções a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. Em uma das conversas, o ex-banqueiro pediu que Andrei tentasse adiar uma ação da PF para a semana seguinte.
As mensagens agora integram a análise do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF. No fim de agosto, Mendonça afirmou que conversas de Vorcaro com uma pessoa ainda não identificada indicam que ele soube com antecedência da decisão que levaria à sua prisão. Para o ministro, os diálogos também reforçam a hipótese de uma rede de influência sobre autoridades públicas. Mendonça deu cinco dias para a PGR se manifestar. Até então, Moraes, Gonet e Andrei Rodrigues não haviam comentado as novas informações.