Senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, após evento no Planalto, nesta segunda (17/11) ! Foto: Evandro Éboli/MyNews
Caso de Jaques Wagner é comparado a ex-ministro de Itamar Franco, que deixou o cargo para ser investigado; inocentado, retornou; será igual?
Desde o governo de Itamar Franco, de 1992 a 1994, foi inserido e difundido no universo político, quando há alguma crise e escândalo que envolva algum figurão da República, uma solução intermediária para dissipar o desgaste do governo. E tem nome: é a saída “à moda Henrique Hargreaves”.
Quem foi Henrique Hargreaves: foi ministro-chefe da Casa Civil do governo de Itamar Franco, e amigo de longa data do então presidente em Juiz de Fora (MG). Hargreaves teve seu nome envolvido no escândalo de desvios de verba federal, citado na CPI do Orçamento, também conhecido como escândalo dos “Anões do Orçamento”.
Em acordo entre os dois – Itamar e Hargreaves -, o ministro deixou o cargo até que as investigações sobre o caso fossem encerradas, o que ocorreu em 1994. O chefe da Casa Civil foi inocentado pela Justiça e foi reconduzido ao cargo pelo então presidente da República.
É possível comparar o caso de Hargreaves com o de Jaques Wagner? O líder do governo no Senado foi alvo de uma operação da Polícia Federal, que encontrou dinheiro vivo em sua residência, além de outras acusações graves, como um o suposto recebimento de apartamento como propina por ter beneficiado do grupo de Daniel Vorcaro, via Augusto Lima.
As acusações são distintas, mas está colocada na mesa a possibilidade de uma saída “à moda Hargreaves” para Wagner. A questão é: dará tempo, até a campanha eleitoral, que o senador baiano seja julgado e, se inocentado, volte ao governo? É uma situação mais díficil a de Wagner. A solução Hargreaves parece não lhe servir, o rolo que está envolvido parece ser maior.
Lula deve conversar essa semana com o líder de seu governo no Senado, um amigo de décadas, tal e qual Itamar e Hargreaves. Wagner deu entrevista semana passada, à BandNews, jogando o presidente na fogueira. Disse que não irá sair, que a decisão é de Lula e, mais, afirmou que o ocupante do Planalto já viveu esse tipo de situação, sendo até preso. Caiu mal no governo.
Enquanto isso, parte do PT e dos assessores de Lula querem Wagner fora da liderança. E de preferência que não retorne tão cedo ao posto, independentemente se ter sua culpa provada. Afinal, o ônus da prova é de quem acusa. Mas contra uma imagem de dinheiro apreendido é dureza argumentar.