Kim Kataguiri. Foto: CNN
Deputado do União Brasil decidiu buscar a reeleição para a Câmara e deixa o caminho mais livre para uma polarização entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes
A decisão de Kim Kataguiri de não disputar o governo de São Paulo em 2026 redesenhou o cenário eleitoral do estado. Com cerca de 5% a 6% das intenções de voto nas pesquisas, o parlamentar optou por tentar a reeleição para a Câmara dos Deputados, movimento que fortalece a tendência de uma disputa mais concentrada entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas.
A saída de Kataguiri se soma à desistência de Paulo Serra, que também avaliava entrar na corrida estadual. Juntos, os dois representavam uma parcela do eleitorado de centro e centro-direita que agora tende a se redistribuir entre os principais candidatos.
Do avatar à realidade: O “modo hard” de Kim e Renan para 2026
Analistas políticos avaliam que a retirada dessas candidaturas reduz as chances de fragmentação do eleitorado. Na prática, isso aumenta a possibilidade de uma vitória já no primeiro turno, especialmente para Tarcísio, que lidera os levantamentos divulgados até aqui.
Ao mesmo tempo, a movimentação abre espaço para novas estratégias no campo da esquerda. Um dos nomes cogitados é o de Márcio França, que poderia disputar o governo estadual para tentar atrair votos que hoje não estariam automaticamente alinhados a Haddad.
A decisão não chegou a surpreender o meio político. O próprio Kataguiri já havia afirmado anteriormente que sua candidatura dependia de uma eventual saída de Tarcísio da disputa. Com a permanência do governador no cenário eleitoral, o deputado avaliou que teria poucas chances de crescer eleitoralmente.
Além disso, Kataguiri mantém uma base consolidada para a Câmara dos Deputados. Reconhecido por sua atuação em temas ligados ao controle de gastos públicos, fiscalização do orçamento e transparência, ele aparece como favorito para conquistar mais um mandato.
Mesmo identificado com pautas liberais e de direita, Kim construiu uma trajetória marcada pela independência em relação ao bolsonarismo. Ao longo dos últimos anos, fez críticas tanto a governos de esquerda quanto a setores da direita, posicionamento que lhe permitiu dialogar com diferentes grupos políticos.
No Congresso, costuma atuar em pautas relacionadas à responsabilidade fiscal e ao controle dos gastos públicos. Em diversas votações, esteve ao lado de parlamentares de diferentes espectros ideológicos quando o tema envolvia fiscalização do uso de recursos públicos.
Sem Kim Kataguiri e Paulo Serra na disputa, o cenário eleitoral fica mais concentrado. A principal consequência é o fortalecimento da polarização entre os grupos liderados por Tarcísio e Haddad.
Além disso, partidos menores passam a ter mais dificuldade para ganhar espaço, enquanto candidatos com menor estrutura partidária e pouco acesso a recursos eleitorais seguem dependendo de campanhas de maior mobilização e exposição espontânea para crescer nas pesquisas.
A definição das chapas ainda depende das negociações partidárias dos próximos meses, mas a saída de Kataguiri já é vista como um dos movimentos que podem tornar a eleição paulista menos pulverizada e mais previsível.