Morre Alan Greenspan, o homem que marcou a economia global por quase duas décadas Alan Greenspan, former chairman of the U.S. Federal Reserve and president and founder of Greenspan Associates, speaks during a Bloomberg Television interview in Washington, D.C., U.S., on Monday, June 27, 2016. Greenspan discussed the state of the European Union and Eurozone with the prospect of a second Scottish referendum and his call to get Greece out of the Eurozone. Photographer: Andrew Harrer/Bloomberg via Getty Images

Morre Alan Greenspan, o homem que marcou a economia global por quase duas décadas

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Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, morreu aos 100 anos. Considerado um dos economistas mais influentes do século XX, ele comandou a autoridade monetária americana entre 1987 e 2006, atravessando governos republicanos e democratas, além de períodos de forte crescimento econômico e grandes turbulências financeiras. Segundo reportagem do […]

Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, morreu aos 100 anos. Considerado um dos economistas mais influentes do século XX, ele comandou a autoridade monetária americana entre 1987 e 2006, atravessando governos republicanos e democratas, além de períodos de forte crescimento econômico e grandes turbulências financeiras.

Segundo reportagem do jornal The New York Times, reproduzida pelo Expresso, Greenspan morreu em sua casa, em Washington, em decorrência de complicações da doença de Parkinson.

O homem que simbolizou uma era

Ao longo de quase 19 anos no comando do Fed, Greenspan ganhou fama por conduzir a economia americana durante um longo ciclo de prosperidade. Além disso, sua gestão coincidiu com o avanço da globalização, a expansão da tecnologia e a consolidação dos Estados Unidos como principal potência econômica do pós-Guerra Fria.

Na época, ele se tornou uma das figuras mais influentes do mundo financeiro. Investidores acompanhavam cada discurso e, muitas vezes, pequenas declarações eram suficientes para provocar fortes oscilações nos mercados.

O “maestro” dos mercados

Defensor dos mercados livres e de menor intervenção estatal, Greenspan acreditava que a inovação tecnológica aumentaria a produtividade e permitiria o crescimento econômico sem pressão inflacionária. Assim, ajudou a sustentar um período de expansão marcado por desemprego baixo e inflação controlada nos Estados Unidos.

Além disso, sua atuação fortaleceu a percepção de que o Fed seria capaz de responder rapidamente a crises financeiras. Por causa disso, ele ganhou o apelido de “maestro” e se transformou em referência para investidores e formuladores de políticas econômicas em todo o mundo.

As críticas após a crise de 2008

No entanto, o legado de Greenspan passou a ser questionado após a crise financeira de 2008. Muitos economistas apontaram que sua postura favorável à desregulamentação do sistema financeiro e a manutenção de juros baixos por longos períodos contribuíram para a formação da bolha imobiliária que antecedeu o colapso global.

Além disso, críticos argumentaram que ele subestimou os riscos dos instrumentos financeiros complexos que se espalharam por Wall Street durante sua gestão. Posteriormente, o próprio Greenspan admitiu surpresa com a incapacidade dos mercados de se autorregularem diante da crise.

Por outro lado, seus defensores afirmam que ele foi fundamental para manter a estabilidade econômica dos Estados Unidos durante momentos de grande incerteza e turbulência internacional.

Uma figura central da política econômica

Antes de chegar ao Fed, Greenspan atuou como conselheiro de governos republicanos e presidiu o Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca durante o governo de Gerald Ford. Posteriormente, foi nomeado para o Fed por Ronald Reagan e permaneceu no cargo durante os governos de George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush.

Por fim, sua trajetória continua dividindo opiniões. Para alguns, foi o arquiteto de uma das fases mais prósperas da economia americana. Já para outros, ajudou a criar as condições que levaram à maior crise financeira desde a Grande Depressão.

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