José Dirceu discursa em sua festa de 80 anos, ocorrida num restaurante em Brasília, em março último | Imagem: Evandro Éboli
MYNEWS ENTREVISTA
Ex-ministro falou ao MyNews sobre a eleição de 2026, a polarização política e os desafios econômicos do Brasil
A disputa presidencial de 2026 já movimenta partidos e lideranças políticas em todo o país. Além dos nomes que devem entrar, temas como economia, segurança pública, soberania nacional e desenvolvimento voltam às discussões. Ao mesmo tempo, a polarização continua influenciando o cenário político e deve marcar mais uma vez o debate entre governo e oposição.
Nesse contexto, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu participou de uma entrevista ao MyNews nesta terça-feira (16). Durante a conversa, ele analisou o cenário político brasileiro, comentou o avanço da polarização e defendeu um projeto de desenvolvimento voltado para crescimento econômico, tecnologia e redução das desigualdades.
Ao abordar a rejeição ao PT, Dirceu afirmou que esse sentimento não surgiu de forma espontânea. Segundo ele, disputas políticas e judiciais ao longo dos anos ajudaram a fortalecer o antipetismo. “O antipetismo foi construído durante décadas”, declarou durante a entrevista.
Além disso, o ex-ministro criticou setores da direita brasileira e acusou aliados do bolsonarismo de atuarem em sintonia com interesses dos Estados Unidos em pautas estratégicas para o país. Ao defender uma política externa mais independente, ele afirmou que o cenário internacional passa por mudanças importantes e declarou que “nós vimos que os Estados Unidos não são invencíveis”.
Durante a entrevista, Dirceu defendeu que o debate eleitoral priorize questões estruturais. Para ele, o Brasil precisa ampliar investimentos, fortalecer a indústria nacional e aumentar sua capacidade tecnológica. Além disso, argumentou que o crescimento econômico deve caminhar junto com a redução das desigualdades e a geração de empregos.
Enquanto os partidos se organizam para a campanha de 2026, a tendência é que temas como modelo econômico, papel do Estado, segurança pública e inserção internacional do Brasil ganhem ainda mais espaço. Dessa forma, as próximas movimentações políticas devem ajudar a definir o rumo de uma eleição que promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos.
Ao comentar o cenário internacional, José Dirceu afirmou que a influência dos Estados Unidos já não é a mesma de décadas anteriores. Segundo ele, o avanço de países asiáticos e a reorganização das forças políticas em diferentes regiões mostram que o mundo vive uma nova configuração de poder. “Nós vimos que os Estados Unidos não são invencíveis”, declarou durante a entrevista ao MyNews.
O ex-ministro também criticou a visão de que os Estados Unidos e a extrema direita dominarão a política global nos próximos anos. Para Dirceu, a Europa enfrenta mudanças profundas e não consegue se desconectar economicamente da Ásia, que concentra cerca de 80% da população mundial. Nesse contexto, ele destacou que Europa e Américas representam hoje cerca de 20% da humanidade.
Na avaliação do petista, o Brasil precisa aproveitar essa transformação geopolítica para fortalecer sua autonomia e ampliar sua influência internacional. “O Brasil pode, deve e precisa tomar seu destino em suas mãos”, afirmou. Dirceu ainda citou governos progressistas em países como Brasil, México, Colômbia e Uruguai para argumentar que a disputa política na América Latina permanece aberta e longe de uma hegemonia de qualquer campo ideológico.