Ao fugirem do debate com os nanicos, os candidatos da direita esquecem um detalhe. Com exceção de Lula e Flávio, nanicos são todos eles
Neste sábado, em Pinheiros, cinco candidatos à Presidência vão se sentar lado a lado para discutir segurança pública, escala 6×1, bets e privilégios políticos, num debate que ajudamos a organizar na MyNews com os canais Kritikê e Três Irmãos. Todos foram convidados. Confirmaram Rui Costa Pimenta, Hertz Dias, Samara Martins, Wilson Grassi e Clariana Barão. Zema, Caiado, Cury e Renan Santos disseram não. E eu me pergunto por que homens que se apresentam como a salvação contra o PT, o sistema e o establishment têm tanto receio de dividir o palco com um trotskista e uma militante da Unidade Popular.
Renan é o caso mais eloquente. Passou a semana esbravejando contra a Globo, que o deixou fora do debate de 1º de outubro por seu partido não ter bancada suficiente. Prometeu protesto na porta da emissora e disse que ela sempre esteve do lado errado da história. Para recusar o nosso convite, porém, usou o argumento de que ali só estariam os candidatos de pouca expressão nas pesquisas. É a mesma régua da Globo, só que com outra unidade de medida. E é a mesma que Lula e Flávio usam quando fogem dos debates em que ele estaria. Os grandes desprezam quem está atrás, e quem está atrás despreza quem vem depois. Tudo isso dito por um candidato que oscila entre 3% e 5%, o outsider que a Economist elogiou nesta quinta como o nome mais sintonizado com o momento. Por mais revolucionário que pareça, o que Renan quer é estar na Globo. Primeiro o estúdio, depois a crítica à mídia.
Clariana Barão vai. Os cínicos dirão que ela não tem nada a perder. Outros dirão que quer ser ouvida e furar a bolha pequena de seu eleitorado. Pode ser as duas coisas. Mas será a única voz feminina da direita disposta a defender suas ideias diante de quem pensa o contrário, sem formato sob medida nem plateia amiga. Porque o medo dos comunistas, no fim, não é medo de perder uma discussão. Rui Costa Pimenta não vai ganhar a eleição. É medo do espelho. Sentar ao lado dos nanicos é admitir o próprio tamanho, e isso quem sonha com a bancada da Globo não pode se permitir.
A Economist conclui que boa parte da elite política brasileira está confortável demais com as coisas como estão para mudar de rumo. A revista tem razão. Só esqueceu de incluir na lista o outsider que ela mesma elogiou. Renan, Caiado, Zema e Cury não parecem querer mudar o sistema. Querem ser incluídos nele.