Carreira ou maternidade: projeto quer tirar obrigação de escolha do futebol feminino Ketlen Wingers, atleta do Santos e mãe do Lucca (Foto: Reprodução/Instagram @ketlenwiggers

Carreira ou maternidade: projeto quer tirar obrigação de escolha do futebol feminino

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Iniciativa da FertGroup que aposta no congelamento de óvulos foi apresentada em evento de marcas

Um projeto que trata a liberdade reprodutiva como uma pauta do futebol feminino começou a circular no mercado. Batizado de “Prontas para o Jogo. Livres para o Futuro”, ele foi apresentado pela FertGroup, grupo de clínicas de medicina reprodutiva, durante o FF.Co, encontro da comunidade do futebol feminino, na quarta-feira (26), no Mercado Livre Arena Pacaembu.

A proposta parte de uma equação conhecida por quem acompanha a modalidade: a melhor janela reprodutiva da mulher coincide com o auge da carreira esportiva.

“Entre 25 e 35, quando ela está com a melhor capacidade reprodutiva, é justamente quando ela está focada na carreira dela, que é quando ela tem melhor performance, é quando ela tem melhores condições”, afirmou Chris Rego, CEO da FertGroup.

“Se ela perde esse momento de escolher entre uma coisa e outra, começa tudo a ficar muito mais difícil lá na frente. E a gente não quer que ela tenha que escolher.”

O eixo central é a criopreservação de óvulos — o congelamento. Na prática, a atleta passa por um ciclo de estimulação hormonal, tem os óvulos coletados em um procedimento ambulatorial e os congela pela técnica de vitrificação, que resfria as células a 196 graus negativos. Elas ficam armazenadas até que ela decida usá-los.

Mas a executiva insiste que o projeto não se resume ao procedimento. “É muito mais sobre informação, sobre educação”, disse Chris.

A ideia é aproximar atletas, médicos e clubes para explicar como funciona a reserva ovariana e o que a medicina reprodutiva oferece hoje.

O discurso é cuidadoso ao demarcar que não se trata de estimular a maternidade.

“A gente não fala aqui que toda jogadora tem que ser mãe, muito pelo contrário: ela tem que ter a liberdade de escolher se quer ser mãe e quando quer ser mãe. Entra em campo, faz o seu melhor jogo hoje sem ter que se preocupar com as possibilidades de amanhã”, afirmou.

O tema chega ao futebol feminino em um momento de regulamentação. Desde 2024, a FIFA garante às jogadoras licença-maternidade remunerada de no mínimo 14 semanas, além de licenças de oito semanas em casos de adoção e para mães não gestantes, com obrigações de estrutura e apoio por parte dos clubes.

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